
“Psicólogas(os) contra as reformas de Temer” era o que se lia em uma das faixas levantadas pelas cerca de 20 mil pessoas que participaram do ato da Greve Geral em Curitiba na manhã desta sexta-feira (28). Ali, diversos setores da categoria estavam representados: psicólogas(os) da assistência social, da saúde, das organizações, da Justiça e das clínicas, cada qual com sua singularidade, mas todos em torno do objetivo de barrar as reformas da Previdência e trabalhista propostas pelo Governo Temer.
Perguntamos a quem participou do Bloco da Psicologia, organizado pelo Sindypsi PR, o principal motivo pelo qual aderiu à paralisação. As respostas, apesar de plurais, indicam uma percepção unânime: as reformas vão afetar toda a categoria. Confira os relatos:
Miriane Souza – Psicóloga na Fundação Municipal de Saúde (FEAES) – CRP 08/15963
Este modelo de reforma trabalhista e previdenciária afeta todos os trabalhadores da saúde mental, que vão perder condições de trabalho e garantias. A precarização do emprego torna o empregado volátil e a rotatividade tende a aumentar, o que, na área da saúde, interfere diretamente na qualidade da assistência. Além do fato de que o trabalhador não terá nenhum incentivo para buscar capacitação profissional. Também já conseguimos ver uma dificuldade na reinserção profissional de usuários do Caps. Imagino que as reformas também vão afetar essa população, que já se encontra em grandes dificuldades para ter uma oportunidade de trabalho que não seja precarizada.
Ítalo Esper – Psicólogo clínico – CRP 08/21239
Precisamos nos entender enquanto categoria, para além da prática individual. A clínica às vezes é compreendida como uma prática individualista e individualizante, mas é importante nos vermos enquanto parte de uma categoria que integra um coletivo, a sociedade. Essas reformas afrontam justamente o senso de coletividade. Não é porque eu trabalho como profissional autônomo que eu não posso me engajar em uma causa coletiva e popular. Mas é importante ressaltar que nós também seremos atingidos pelas reformas, por exemplo com a dificuldade de acessar o direito básico de se aposentar.
Luciana Moraes – Psicóloga do Tribunal de Justiça do Paraná – CRP 08/14417
Penso no futuro da categoria em dois aspectos. Como trabalhadoras e trabalhadores, me preocupo com as terceirizações, que vão flexibilizar direito e impedir o avanço de nossas pautas, como as 30 horas, o piso salarial. Somos muitos profissionais autônomos, mas também estamos inseridos em campos como serviço público, em empresas, em ONGs etc. Vamos sentir os impactos dessa reforma como qualquer outro trabalhador.
Do ponto de vista da nossa função social dos psicólogos, é ainda mais aterrorizante. Nós estamos em contato direto com populações vulneráveis que precisam de vários programas sociais e políticas públicas. Elas vinham ganhando espaço e visibilidade com as políticas que a gente tinha. Agora, estamos vendo elas serem gradativamente derrubadas. Isso tem um impacto também na Psicologia se pensarmos no nosso objeto. Tem impacto na saúde mental, na circulação social e na identidade social dessas pessoas.
Fabiano Andriolli – Psicólogo clínico – CRP 08/15198
Na clínica, quase não temos garantias. O psicólogo chega a trabalhar em planos de saúde para atender 16 pessoas por dia e receber R$1500 por mês, que condições são essas? Esse desmanche das leis trabalhistas vai precarizar ainda mais o que já está precário. Então é importante lutar não só pelas nossas condições de trabalho, mas pelas de todos.
O psicólogo precisa compreender, também, o papel que ele tem na sociedade. Os princípios que regem a nossa profissão são os Direitos Humanos. Toda vez que há um ato política que venha a ferir os direitos humanos, a gente precisa se posicionar. É preciso parar com esse mito da neutralidade. Não podemos deixar essa polarização política se sobrepor ao nosso principal objetivo, que é atuar em prol do sujeito, da subjetividade e dos direitos humanos.
Altieres Frei – Psicólogo do Propulsão, projeto voltado à saúde mental de adolescentes – CRP 08/20211
Além de afetar o trabalhador psicólogo, que já tem um campo de atuação escasso em um serviço público sucateado, com gastos congelados, as reformas nos afetam porque produzem demandas sociais que são muito mais intensas. O abismo de pessoas empobrecidas que não vão conseguir se aposentar, ou mesmo a própria onda de desânimo é produtora de sintomas que precisam ser considerados pela Psicologia. Para além da luta de classe do psicólogo, é preciso que a gente se movimente contra essas reformas entendendo que elas provocam um grande impacto social.
Tiago Morales Calve – Professor de Psicologia na Universidade Federal do Paraná – CRP 08/18270
A precarização do trabalho traz como consequência inevitável a precarização da vida das trabalhadoras, dos trabalhadores e de suas famílias. É impossível não considerar que essas reformas vão afetar diretamente a saúde mental tanto das psicólogas e dos psicólogos quanto do usuários. Esse cenário de flexibilização de vínculos e direitos trabalhistas, jornadas extensas ou até duplas, repressão por meio do assédio moral, ausência de progressão e instabilidade vai, certamente, contribuir para a intensificação do sofrimento humano.
Grazielle Tagliamento – Professora de Psicologia na Universidade Tuiuti do Paraná – CRP 08/17992
A Psicologia não pode estar desvinculada do compromisso social e da transformação social. Se ela se cala, ela é cúmplice de violação de direitos de trabalhadoras, de trabalhadores, inclusive das próprias psicólogas e psicólogos. É importante mostrar a cara da Psicologia e não perder de vista esse compromisso.





Retrocessos como uma grande orquestra
Mas em que aspectos esse cenário político ajuda a explicar a LGBTfobia? Para Cesar, em todos. “Em nome da governabilidade”, continua o psicólogo, “o ex-governo abriu portas para a agenda fundamentalista, que cresceu com um discurso fortemente moral, vinculado à família e aos bons costumes. Mas é importante pensar que esses deputados e deputadas não legislam somente sobre as vidas das minorias políticas. Não seria possível a aprovação da lei da terceirização irrestrita, da PEC do congelamento de gastos e o encaminhamento da Reforma da Previdência sem o apoio da bancada fundamentalista. Eles retiram direitos de todas e todos que trabalham”, reafirma.


A presidente do Sindicato dos Psicólogos de Minas Gerais (MG), Lourdes Aparecida, inseriu o importante debate de gênero na discussão. Para ela, as relações entre condições de trabalho e gênero são indissociáveis. “Quem somos nós? Somos mulheres com baixos salários, duplas ou triplas jornadas de trabalho que não são contabilizadas para a aposentadoria. Somos aquelas que têm a figura associada ao cuidado e ao espaço privado, e não ao espaço público”, reflete Z. ”Baixos salários, desvalorização e violência continuam sendo demonstrações de machismo que controlam a nossa vida”, finalizou.
Já Marinaldo, presidente do Sindicato dos Psicólogos do Rio de Janeiro, se debruçou sobre as crueldades da Reforma da Previdência proposta pelo Governo Federal. Após explicar os retrocessos que a PEC 287 representa, o psicólogo citou o estudo
Perto de completar 90 anos, o Hospital Oswaldo Cruz (HOC) é referência no tratamento infectológico. Localizada no centro de Curitiba, a unidade está passando por um momento delicado depois da decisão da Secretaria de Saúde (Sesa) do Paraná de ceder outro prédio, o da 2ª Regional de Saúde Metropolitana (mais conhecida como CRE Barão), à Fundação Estatal de Atenção em Saúde do Paraná (Funeas). O SindSaúde, entidade que representa as(os) servidoras(es) estaduais da saúde, alerta que a mudança superlotou o HOC, que se viu obrigado a atender as demandas do CRE Barão. Em uma Carta ao Povo Paranaense, o SindSaúde PR mostra em detalhes os atendimentos que foram afetados e as dúvidas geradas pela falta de diálogo e transparência por parte da pasta da Saúde.
No mês de fevereiro, o Sindypsi PR envia a guia de Contribuição Sindical à casa das(os) psicólogas(os) paranaenses. Existem duas maneiras de fazer o recolhimento do imposto: pelo pagamento do boleto enviado à sua residência ou pelo desconto de um dia de trabalho diretamente da folha de pagamento. No segundo caso, a Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT) prevê que o desconto seja realizado no mês de março.