21 de janeiro de 2015 – Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa

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A edição de outubro de 1999 do periódico Folha Universal circulava pelo país com a foto da iyalorixá Gildásia dos Santos e Santos, a Mãe Gilda, estampada com a frase “Macumbeiros charlatões lesam o bolso e a vida dos clientes”. Não demorou para que a casa da iyalorixá fosse invadida, seu marido, agredido e seu terreiro, depredado. Mãe Gilda morreu no dia 21 de janeiro de 2000, há exatamente 16 anos, data reconhecida como o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa pela Lei nº 11.635 de de 2007.

A intolerância religiosa é um conjunto de atitudes ofensivas a crenças e práticas religiosas ou a quem não segue alguma religião. Apesar da população brasileira ser reconhecida como plural e amigável a várias raças, cores e credos, esta imagem de Cultura da Paz não se aplica a diversos segmentos da população, como é o caso dos seguidores de religiões de matrizes africanas e os muçulmanos. Não são raros os ataques a terreiros de candomblé e umbanda e casos de islamofobia registrados no Brasil nos últimos anos.

O preconceito e a intolerância atingem diretamente a saúde mental e autoestima das pessoas. O papel da/do psicóloga/o neste cenário é estimular a liberdade religiosa e contribuir para a eliminação de qualquer tipo de opressão.

Todas e todos na luta contra a intolerância religiosa.

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Obrigado pela parceria e união em 2015

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Obrigado por sua parceria e união em 2015. Que 2016 fortaleça a nossa coletividade e renda mais conquistas para a categoria.

Do dia 21/12/15 ao dia 04/01/16, a equipe do Sindypsi PR estará em recesso coletivo.

Desejamos às psicólogas e aos psicólogos paranaenses um bom descanso. Nos vemos no ano que vem!

Manifestação em Curitiba denuncia retrocessos na saúde mental

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Sindypsi PR participou do ato “Nenhum passo atrás – manicômios nunca mais”, realizado na tarde de quinta-feira (17) no centro de Curitiba. Usuárias/os dos equipamentos de saúde mental foram os protagonistas da manifestação

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Aos gritos de “Sai, Valencius, e não volta mais”, cerca de 500 pessoas marcharam pelo centro de Curitiba na tarde de quinta-feira (17) contra a nomeação de Valencius Wurch para a Coordenação Geral de Saúde Mental, Álcool e outras Drogas do Ministério da Saúde. A indicação, feita pelo ministro Marcelo Castro, surpreendeu os movimentos sociais pela saúde mental e as/os trabalhadoras/es e usuárias/os da Rede de Atenção Psicossocial (Raps). Nos cartazes, viam-se mensagens de repúdio à lógica manicomial e pedidos de valorização das conquistas da Reforma Psiquiátrica. O ato foi organizado por militantes e entidades do Coletivo Abraça Raps, integrado também pelo Sindypsi PR. O grupo foi formado recentemente para dar novo fôlego à Luta Antimanicomial em Curitiba.

Para o presidente do Sindicato dos Psicólogos do Paraná (Sindypsi PR), Thiago Bagatin (CRP 08/14425), o objetivo da manifestação foi atingido. “Conseguimos dialogar com a população e expressar o nosso repúdio à lógica mercadológica e manicomial que o Ministério da Saúde quer reforçar no SUS e nas políticas de saúde mental. A demonstração da nossa força é essencial para mostrar ao ministro e ao próprio Valencius que, se eles quiserem retrocessos, terão que enfrentar a nossa mobilização”, salientou.

Por que Valencius é um retrocesso?

ato_manicomios2Valencius Wurch é médico psiquiatra e ex-diretor da Casa de Saúde Dr. Eiras de Paracambi,  maior manicômio privado da América Latina fechado em 2012 após denúncias, investigações e um longo processo na Justiça. Não por acaso, ele foi um dos críticos da Reforma Psiquiátrica, conquista dos militantes da Luta Antimanicomial. Para a médica psiquiatra e porta-voz do Coletivo Abraça Raps, Sylvia Cardin, o próprio histórico de Valencius indica o atraso que ele representa.

“É o histório de um sujeito que não conseguiu produzir nenhuma transformação e esteve sempre à frente de um manicômio. Essa é a experiencia profissional dele. Por ele não ter participado do processo da Reforma Psiquiátrica, acho muito difícil que ele compreenda o sentido dela. Basta que ele pare de investir no processo de consolidação das políticas atuais de saúde mental para que um desmonte aconteça”, alerta Sylvia.

Sylva se preocupa com o desperdício do investimento realizado nos CAPS nos últimos 20 anos, montante responsável por criar uma rede que, atualmente, agrega cerca de  2.300 unidades. A médica também alerta que a desvalorização da Saúde Mental irá, consequentemente, afetar o funcionamento do próprio Sistema Único de Saúde (SUS).  “O modelo criado pela Saúde Mental vem alimentando o SUS com o conhecimento relacional, o das relações humanas, que são as chamadas de tecnologias leves, e não só as tecnologias duras, que seriam as vacinas, os prédios e leitos. A saúde mental tem mostrado para o SUS como é trabalhar em rede, o que á intersetorialidade… Com o desmonte dos CAPS, há também o desmonte de uma rede, de uma tecnologia e de um pressuposto teórico que dá base ao sistema de saúde atualmente”, salienta.

Próximos passos

ato_manicomios3Manifestações contrárias à nomeação de Valencius estão surgindo por todo o Brasil. Para Sylvia, o próximo passo é descobrir uma forma de recriar o movimento social pela saúde mental. “Uma sugestão é que a gente se recrie por meio de associações e fóruns de debate permanente com entidades, mas sem esquecer que este é um movimento popular que não deve ser ligado a um governo ou a outro”, aponta.

Thiago Bagatin reafirma que o Sindypsi PR estará presente e atuante nas próximas formulações de estratégias e mobilizações contrárias ao desmonte da Saúde Mental no Brasil. “O ano de 2015 mostrou a toda a sociedade que, se não lutarmos, os retrocessos serão permanentes. O Sindypsi PR está pronto para começar 2016 ainda mais forte e convida toda a categoria para participar da luta pela saúde mental da nossa população”.

Por uma sociedade sem manicômios

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sociedade_sem_manicomiosUm dos maiores retrocessos para o campo da Saúde Mental está prestes a se concretizar no Brasil. Por indicação do Ministro da Saúde Marcelo Castro, a coordenação geral de Saúde Mental, Álcool e Outras Drogas pode ser concedida ao médico psiquiatra Valencius Wurch Duarte Filho, reconhecido por seu posicionamento contrário à Reforma Psiquiátrica e por seu envolvimento na gestão do maior (e um dos piores) manicômios da América Latina, o Hospital Psiquiátrico Dr. Eiras, que ficava no município de Paracambi (RJ). Praticamente todas as entidades da Psicologia no Brasil já repudiaram mais essa grave ameaça aos direitos das pessoas com transtorno mental e estão promovendo ações de resistência à nomeação.

A aguerrida luta de movimentos sociais, psicólogas/os, médicas/os e da sociedade civil do Brasil vem conquistando, desde a década de 70, importantes avanços para o tratamento de pessoas em sofrimento psíquico no Brasil. A Reforma Psiquiátrica, em vigor desde 2001, modernizou o tratamento dado a essa parcela da população e deu início ao reconhecimento dos direitos das pessoas com transtornos mentais. As barreiras ainda são muitas, já que a concepção de doenças psiquiátricas defendida pelas instituições manicomiais ainda se faz presente. Mas nenhum desses desafios se compara ao retrocesso que é a nomeação de Valencius Wurch à coordenação de Saúde Mental. Essa decisão, que recai sobre toda a população brasileira, representa os interesses de uma política de privatização da saúde, de violação aos princípios fundamentais do SUS, da lei da Reforma Psiquiátrica e dos Direitos Humanos.

A luta pela criação de uma nova forma de promover o cuidado pode ser ignorada e desperdiçada em nome da desumanidade dos manicômios e de quem lucra com eles. O Sindicato dos Psicólogos do Paraná manifesta seu repúdio e convoca a categoria para uma grande mobilização contrária à nomeação de Valencius para a formulação de nossas políticas de saúde mental.

Sindypsi PR e demais entidades organizam Seminário Nacional das 30 Horas

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seminario_30horasA luta pela aprovação da jornada de 30 horas para as/os psicólogas/os do Brasil movimentou o ano de 2015. Apesar de não ter sido aprovada nacionalmente, a pauta foi uma das prioridades do Sindypsi PR em atuações por local de trabalho. Para que a mobilização se mantenha viva em 2016, o Sindypsi PR se junta a outros sindicados e conselhos profissionais para organizar o Seminário Nacional das 30 Horas. A ideia é reunir entidades para formular sobre a importância de uma jornada de trabalho mais digna para a promoção da saúde da população. Serão debatidas e publicizadas as estratégias políticas e comunicacionais utilizadas nas últimas campanhas pelas 30 horas.

“A luta pelas 30 horas não pode parar. Apesar do momento político conturbado, o Sindypsi PR elenca como prioritária a pauta das 30 horas e, por isso, lutou até o último minuto pela aprovação do projeto nacional. Entendemos que as entidades precisam aglutinar forças para inovar em suas estratégias. Foi o que fizemos quando o projeto nacional foi vetado e começamos a luta pelos locais de trabalho. Com o Seminário, pretendemos contribuir para a organização de um grande movimento que priorize a pauta das 30 horas e que não descanse enquanto esse direito não for uma realidade”, enfatiza o presidente do Sindypsi PR, Thiago Bagatin (CRP 08/14425).

Thiago ressalta que a ideia é nacionalizar e capilarizar o movimento, o que vai demandar muito esforço das entidades sindicais e conselhos profissionais. “Estamos dispostos a transformar essa primeira articulação em um Seminário Nacional de fato, para que o debate se nacionalize mais uma vez e dê respaldo a lutas que possam vir a aparecer em cidades e estados”, explica o presidente.

Machismo, discriminação e mundo do trabalho: onde fica a saúde mental das mulheres e LGBTs?

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De cada 10 pessoas que trabalham com a Psicologia, 9 são mulheres. Em nossa sociedade, o fato de ser mulher aumenta a exposição da trabalhadora a situações específicas, como o assédio sexual e moral. Outros grupos também são mais vulneráveis a situações de opressão, como a população de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais (LGBT). A discussão sobre o machismo e a discriminação no ambiente de trabalho é urgente. Confira a matéria da série Chega de Silêncio sobre os assédios moral e sexual cometidos contra a mulheres e a população LGBT.

assedio_moral_e_sexualEm 2012, o Brasil registrou, pelo Disque Direitos Humanos (Disque 100) da Secretaria de Direitos Humanos, 27,3 violações de direitos humanos de cunho homofóbico por dia. Dois anos depois, em 2014, o Ligue 180, plataforma destinada a denúncias de violência contra mulher, atendeu mais de 265 mil casos. Mesmo que os dados sejam chocantes, considera-se a subnotificação das denúncias, já que muitos casos não chegam ao conhecimento de órgãos e autoridades. Se a o machismo e a LGBTfobia são constantes na sociedade brasileira, o mundo do trabalho não fica imune a essas opressões. Nesta matéria da série Chega de Silêncio, serão abordadas as violências sofridas pelas mulheres e pelas pessoas lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais no ambiente de trabalho.

Os nós entre a cultura machista e os crimes de assédio

Não bastasse ganharem menos que os homens para executar as mesmas funções e cumprirem dupla (ou até tripla) jornada de trabalho, as mulheres também são as principais vítimas do assédio moral e sexual. De acordo com o artigo 216 do Código Penal, assédio sexual é o ato de “constranger alguém com o intuito de obter vantagem ou favorecimento sexual, prevalecendo-se o agente da sua condição de superior hierárquico ou ascendência inerentes ao exercício de emprego, cargo ou função”. A pena prevista varia de um a dois anos de detenção. A esmagadora maioria das vítimas desse crime é composta pelas mulheres.

Para a promotora de justiça e coordenadora do Núcleo de Promoção da Igualdade de Gênero (NUPIGE) do Ministério Público do Paraná, Mariana Bazzo, as maiores vítimas são as mulheres porque isso está relacionado ao próprio fenômeno cultural do machismo. “É essa sensação de que sempre existe a superioridade masculina e de que essa superioridade também se relaciona com a superioridade sexual. É a ideia de que o corpo do mulher está sempre a serviço do homem. Isso transforma a mulher em objeto, esse pensamento existe há muitos séculos”, explica.

Mariana ressalta que a mudança nas leis, como a aprovação da Lei nº 11.340 de 2006, conhecida como Lei Maria da Penha, não deram conta de mudar a sociedade de um dia para o outro. “A mulher entrou no mercado de trabalho, mas a questão cultural não modificou. Ainda é possível notar o impacto do fenômeno cultural, pois elas acabam subordinadas ao chefe que ainda se enxerga como dono. Como homem, ele se sente dono de sua funcionária. Antes eram os maridos. Agora, também os chefes”, aponta Mariana.

Ao constatar que está sendo vítima de assédio sexual, a trabalhadora deve reunir provas, mesmo que seja um procedimento difícil. Muitas vezes, a denúncia pode fazer com que a mulher perca a fonte de seu sustento. Ainda assim, Mariana reforça a necessidade das evidências. “A gente sempre orienta que todas as provas devem ser apresentadas porque deve-se chegar a um culpado, e isso só acontece com provas suficientes. É interessante a apresentação de gravações, fotos e relatos de testemunhas”, sugere. Mariana ressalta que a ação penal para processamento do crime de assédio sexual é pública condicionada à representação, ou seja, a vítima deve autorizar o promotor de justiça a entrar com ação. Não é necessária a contratação de advogado.

Questionada sobre o caminho que deveria ser trilhado para o combate ao assédio sexual no ambiente de trabalho, Mariana indica que somente uma grande mudança cultural daria conta de exterminá-lo. “Assédio moral, estupro, atentado ao pudor, todos estão dentro de um mesmo panorama. O fenômeno da cultura machista pode ser superado com um maior incentivo dessa questão nas escolas e com a promoção de maior número de reflexões dos próprios homens agressores. Eles estão dentro dessa cultura e, às vezes, não entendem que estão errando, até porque passa na televisão todos os dias que a mulher é objeto, que ela deve se portar de um ou de outro jeito para não ser criticada e castigada”, defende.

Mundo do trabalho e diversidade não são antagônicos

Ter um trabalho decente é direito de todas e todos. Infelizmente, essa garantia sofre interferência de muitos fatores: da própria estrutura desigual e exploratória do mundo do trabalho e das opressões específicas da sociedade em que vivemos. No entanto, há algo de errado quando a orientação sexual e a identidade de gênero são características que se sobressaem ao restante do currículo do/a trabalhador/a. É nesse conflito que se enquadram as lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais. O estigma e a discriminação presentes no ambiente de trabalho trazem impactos diretos à saúde mental do trabalhador e da trabalhadora LGBT e afetam também a qualidade do serviço prestado. No caso das travestis e transexuais, adentrar o mercado de trabalho formal é, em 90% dos casos, algo longe da realidade.

A homo-lesbo-bi-transfobia (ou LGBTfobia) é a violência que transforma características da diversidade sexual em motivos para desigualdades, vulnerabilidades, exclusões e riscos de toda ordem. No ambiente de trabalho, as situações LGBTfóbicas acontecem não só no momento da contratação, mas também na convivência com os/as colegas de trabalho e na própria relação com a gestão. Não são raros os casos em que pessoas LGBT são levadas a esconder sua sexualidade para continuar no cargo.

Para o promotor de justiça e coordenador do Núcleo LGBT do Ministério Público do Paraná, Fernando Mattos, um dos fatores influentes nesse cenário é a falta de compreensão plena sobre o que é orientação sexual e identidade de gênero. “Isso resulta em discriminação e preconceito contra pessoas LGBT em diversos âmbitos da sociedade. E não é diferente no ambiente de trabalho, ao qual esse segmento da população ou tem dificuldade de acesso, ou, quando tem acesso, presencia discriminação por parte dos empregados, dos funcionários e dos clientes e usuários”, explica.

  • Orientação sexual – refere-se à direção ou à inclinação do desejo sexual de cada pessoa
  • Identidade de gênero – É a maneira como alguém se sente e se apresenta para si e para as demais pessoas independentemente do sexo biológico ou da orientação sexual. Essa identidade pode ser diferente do gênero que lhe foi assinalado no nascimento.
  • Heteronormatividade – termo usado para descrever situações nas quais orientações sexuais diferentes da heterossexual são marginalizadas, ignoradas ou perseguidas por práticas sociais, crenças ou políticas.

Quem seria o responsável pela promoção de campanhas e iniciativas contrárias ao preconceito e ao machismo no ambiente de trabalho? Para Fernando, essa tarefa deve ser executada principalmente pelo poder público. “É preciso haver um trabalho de sensibilização dos empregadores para que se rompa com esse processo de discriminação. O poder público deve identificar não só situações concretas, mas a necessidade de realizar intervenções gerais para capacitação e sensibilização a este tema no ambiente de trabalho”, defende.

Retrocessos ou avanços?

Nossa reportagem perguntou aos entrevistados sobre os próximos passos da luta contra a LGBTfobia e o machismo no ambiente de trabalho. Em relação às mulheres, Mariana é otimista ao analisar a visibilidade que elas têm dado à questão das violências de gênero atualmente. “O combate está avançando porque as lutas das mulheres vem trazendo esse problema para o conhecimento de um maior número de pessoas. As estatísticas também estão sendo mais formuladas”, analisa.

Já Fernando demonstra preocupação com o atual cenário político de retirada de direitos de populações historicamente estigmatizadas e excluídas, como é a LGBT. “Esses discursos, tanto o político quanto o religioso, compõem um círculo vicioso de situações de discrminiação e preconceito. Entendemos que a necessidade de proteção específica para ao público LGBT se justifica pelo fato de que as situações de preconceito são resultado unicamente da sua orientação sexual e identidade de gênero que não se enquadram o padrão hegemônico – a chamada heteronormatividade”, salienta.

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Você está sendo vítima de assédio moral ou sexual? Entre em contato com o Sindypsi PR pelo e-mail assediomoral@sindypsipr.com.brNossa assessoria jurídica está à disposição para auxiliar você. O atendimento é sigiloso.

Sindypsi PR organiza resistência à desvalorização da profissão em Foz do Iguaçu

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edital_provoparAs psicólogas e os psicólogos de Foz do Iguaçu receberam com indignação o edital do processo seletivo da Provopar – Ação Solidária de Foz do Iguaçu. O motivo: R$640 é o salário previsto para a/o psicóloga/o aprovada. A remuneração é para 15 horas semanais. Em quatro páginas, o documento exige, entre tantas outras atribuições, que a/o selecionada/o tenha experiência na área. O Sindypsi PR está em articulação com integrantes de sua direção em Foz do Iguaçu para promover ações de resistência a mais esse caso de desvalorização da nossa profissão.

A diretora do Sindypsi PR em Foz do Iguaçu, Mara Baran (CRP 08/2832), conta que a categoria está indignada com a desqualificação do profissional da Psicologia. “Estamos articulando com demais psicólogos a possibilidade de uma manifestação. No entanto, também são importantes as ações coletivas que propiciem uma participação constante da categoria na nossa luta. Por isso, é essencial que a gente fortaleça as nossas entidades para termos mais força nesses enfrentamentos”, salienta.

O presidente do Sindypsi PR, Thiago Bagatin (CRP 08/14425), acrescenta que o sindicato está inteiramente disposto a atuar na resistência à precarização das condições de trabalho e ao desmonte do salário da/o psicóloga/o. “Muitas vezes, não chegam até a equipe do sindicato todos os editais e processos seletivos que são abusivos às psicólogas e aos psicólogos. Sendo assim, pedimos à categoria que não pense duas vezes antes de entrar em contato conosco para planejarmos coletivamente ações de resistência à desvalorização da nossa profissão”, diz.

Fundação de Saúde do Paraná sai do papel e inaugura terceirização da saúde no estado

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Sabe aquele governador que, só em 2015, “transferiu” R$8,5 bilhões da previdência dos servidores estaduais para o caixa do governo e que, para isso, orquestrou uma repressão que feriu mais de 250 trabalhadoras/es em praça pública no episódio conhecido como Massacre do Centro Cívico? Lembra do governador que propôs, insistentemente, os famosos “pacotaços” de impostos e que acelerou a tramitação deles com ajuda dos deputados e deputadas do camburão? Conhece o governo que chegou a anunciar, meses atrás, o fechamento de mais de 70 escolas (seguindo o exemplo de seu correligionário Geraldo Alckmin, de São Paulo), mas que voltou atrás por causa da pressão popular? Pois é, o protagonista de todo esse desastre, o governador Beto Richa (PSDB), acaba de concretizar mais um de seus projetos: a Fundação Estatal de Atenção em Saúde (Funeas).

Entidade com personalidade jurídica de direito privado, a Funeas deve entrar em funcionamento já em janeiro de 2016. Sim, trata-se de uma entidade privada que não terá mais o Estado do Paraná como único provedor, ainda que seja vinculada à Secretaria de Saúde (Sesa). O nome disso é terceirização. O Sindicato dos Psicólogos do Paraná esteve presente em todas as mobilizações contrárias à criação da fundação em 2013 e 2014. O Projeto de Lei 726/2013, que instituiu a Funeas, chegou a ter sua tramitação protelada por conta da pressão popular, mas foi aprovado em 25 fevereiro de 2014 em uma sessão da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) marcada também pela vergonhosa aprovação do auxílio-moradia de quase R$5 mil para juízes e desembargadores do estado.

Como ficam as/os trabalhadoras/es?

A Funeas irá contratar as/os trabalhadoras/es pelo regime da Consolidação das Leis de Trabalho (CLT), e não mais como estatutários. O que isso significa? Com as recentes experiências que o município de Curitiba teve com a entrada da Fundação Estatal de Atenção Especializada em Saúde (FEAES) na gerência dos serviços de saúde da capital, é possível prever pelo menos dois cenários: drástica diferença entre os salários pagos aos celetistas da Funeas e aos estatutários e a piora nas condições de trabalho e consequente rotatividade entre as/os trabalhadoras/es. Em outras palavras, o trabalhador e a trabalhadora de uma fundação de direito privado ganham bem menos e trabalham em piores condições.

O presidente do Sindypsi PR, Thiago Bagatin (CRP 08/14425), destaca que, infelizmente, os gestores da saúde não aprenderam com as consequências da implantação da FEAES em Curitiba e repetirão o erro em todo o território estadual. “Não estamos profetizando nada, é fato: a trabalhadora e o trabalhador são os que mais perdem com a Funeas. Em Curitiba, o salário de um psicólogo da fundação municipal chega a ser a metade do salário de um psicólogo estatutário. É questão de tempo para que o governo do Paraná suspenda de vez os concursos para contratação de estatutários e privilegie as contratações pela Funeas, que não pensará duas vezes antes em tornar as condições de trabalho cada vez mais precárias e insalubres”, questiona Thiago.

Além disso, a Funeas não será obrigada a ouvir a sociedade civil e os usuários sobre os serviços que presta. Isso porque a fundação não terá Controle Social, marco democrático da gestão de serviços públicos. Os responsáveis por deliberar as políticas de gestão serão os membros um conselho curador nada transparente e a “nata” da Funeas será preenchida por indicações diretas do governo do estado. Aumenta a burocracia, diminui a transparência.

Infelizmente, mais esse retrocesso cai no colo do povo paranaense.
O desmonte dos serviços públicos não pode continuar.
O Sindicato dos Psicólogos do Paraná mantém seu posicionamento irreversivelmente contrário à Fundação Estatal de Atenção em Saúde (Funeas) e se coloca ao lado das/dos psicólogas/os e demais trabalhadoras/es da saúde para resistir a mais esse ataque!

“A gente tem medo de sair de casa”, desabafa muçulmana de Curitiba vítima de islamofobia

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O Sindypsi PR acompanhou coletiva de imprensa da Sociedade Beneficente Muçulmana do Paraná em que duas muçulmanas curitibanas relataram uma série de agressões físicas e verbais motivadas pela islamofobia. Casos recentes serão comunicados à OAB-PR, à Assembleia Legislativa do Paraná e ao Conselho Estadual de Promoção à Igualdade Racial

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Foto: Vinicius Torresan

Pedras, xingamentos, socos, cuspes e puxões nos véus são apenas algumas das agressões relatadas por muçulmanas curitibanas. Andar pelas ruas, buscar os filhos na escola e trabalhar são atividades cotidianas cada vez mais árduas para elas. Após uma série de agressões sofrida pela comunidade na capital paranaense, a Sociedade Beneficente Muçulmana do Paraná convocou uma coletiva de imprensa para esta segunda-feira (23) na Mesquita Imam Ali Ibn Abi Tálib, em Curitiba, com o objetivo de dar visibilidade à violência que o grupo vem sofrendo. A equipe do Sindypsi PR compareceu à coletiva e registrou o relato de Paula Zhara e Luciana Schmith Veloso sobre os ataques que, de acordo com elas, acontecem desde sempre, mas se tornam mais recorrentes quando o debate sobre o terrorismo e o Estado Islâmico ganha visibilidade na mídia e na imprensa.

No último dia 20, Luciana foi surpreendida por um homem que, ao passar por ela, voltou e arremessou uma pedra que a atingiu na perna. “Na hora, a gente não pensa, fica nervosa. Saí correndo e nem olhei direito pra ele”, relatou Luciana, que ressaltou ter descrença na efetividade de possíveis investigações sobre esse crime. A violência física é o ápice de uma série de agressões diárias, de acordo com ela. “Fora os olhares, os puxões de véus e os ataques via internet que disseminam ódio e fazem várias associações com o Islã que nós sabemos que não é verdade. É muito triste”, desabafou.

Paula reforçou que as agressões são de longa data. “Desde o dia 11 de setembro (dia do ataque às torres gêmeas do World Trade Center, em Nova York), os ataques que nós sofremos vão se sucedendo”. Os ataques físicos contra ela coincidiram com momentos em que o terrorismo estava em alta na mídia: a época da morte de Osama Bin Laden e do atentado contra o jornal satírico francês Charlie Hebdo, por exemplo. A última agressão sofrida por Paula veio à tona logo após o ocorrido em Paris no último dia 13. Ela andava pela rua quando um usuário do transporte público gritou, de dentro do ônibus, palavras de baixo calão e cuspiu em seu hijab (véu usado pelas muçulmanas).

“Hoje em dia, no Brasil e em Curitiba, se você sofrer preconceito racial, você vai se pintar de branco para conseguir ser aceito? Eu vou ter que tirar o meu véu para poder andar na rua? A mídia não pode mais coadunar com essa situação. A gente não pode mais sair com os nossos filhos na rua por causa do medo de ser agredida. Meu filho de nove anos não tem ido à escola porque ele está com medo. As pessoas falam que a mãe dele é mulher-bomba”, desabafa Paula com os olhos cheios de lágrima. “Nós temos o direito à nossa identidade, de demonstrar a nossa fé e de nos vestir da maneira como achamos certo. Não sei por que isso incomoda tanta gente”, acrescentou Luciana.

Tanta violência e intolerância que a comunidade muçulmana tem sofrido demonstram seus impactos na saúde mental das vítimas. Paula relata a dificuldade de superar as agressões e a maneira como elas a afetam emocionalmente. “Eu sou ser humano. Todos esses episódios que aconteceram comigo estão aqui, não descem, não dá pra digerir isso”, disse.

Resistência à islamofobia começa a ganhar corpo em Curitiba

Para o porta-voz da Sociedade Beneficente Muçulmana do Paraná, Omar Nasser Filho, o silêncio sobre as agressões precisa ser quebrado e a comunidade entrará em contato com a Comissão de Defesa dos Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil no Paraná (OAB-PR), com a Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) e o Conselho Estadual de Promoção da Igualdade Racial (Consepir). Omar ressalta que a mobilização do grupo não é por vingança, e sim para que as pessoas pensem duas vezes antes de praticar a Islamofobia.

Omar ressalta que as mulheres estão mais suscetíveis às agressões e ao ódio devido ao uso do véu, o que facilita a identificação delas como muçulmana. “Não bastassem todos tipos de violência que a mulher sofre em nossa sociedade, agora vivenciamos também a violência de caráter religioso e étnico”, relatou.

“Infelizmente, pessoas ignorantes, mal informadas e preconceituosas têm usado o noticiário como instrumento para poder extravasar o seu ódio. O Brasil não é um país do ódio, nós reafirmamos a nossa crença nas instituições do Estado brasileiro, na legislação brasileira, acreditamos no Estado de Direito e vamos usar daquilo que a lei nos oferece para não só penalizar aqueles que são os perpetradores desses atos, mas também para garantir a nossa segurança na condição de cidadãos brasileiros”, relata Omar.

“A gente tem medo de sair de casa”, desabafa muçulmana de Curitiba vítima de islamofobia

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O Sindypsi PR acompanhou coletiva de imprensa da Sociedade Beneficente Muçulmana do Paraná em que duas muçulmanas curitibanas relataram uma série de agressões físicas e verbais motivadas pela islamofobia. Casos recentes serão comunicados à OAB-PR, à Assembleia Legislativa do Paraná e ao Conselho Estadual de Promoção à Igualdade Racial

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Foto: Vinicius Torresan

Pedras, xingamentos, socos, cuspes e puxões nos véus são apenas algumas das agressões relatadas por muçulmanas curitibanas. Andar pelas ruas, buscar os filhos na escola e trabalhar são atividades cotidianas cada vez mais árduas para elas. Após uma série de agressões sofrida pela comunidade na capital paranaense, a Sociedade Beneficente Muçulmana do Paraná convocou uma coletiva de imprensa para esta segunda-feira (23) na Mesquita Imam Ali Ibn Abi Tálib, em Curitiba, com o objetivo de dar visibilidade à violência que o grupo vem sofrendo. A equipe do Sindypsi PR compareceu à coletiva e registrou o relato de Paula Zhara e Luciana Schmith Veloso sobre os ataques que, de acordo com elas, acontecem desde sempre, mas se tornam mais recorrentes quando o debate sobre o terrorismo e o Estado Islâmico ganha visibilidade na mídia e na imprensa.

No último dia 20, Luciana foi surpreendida por um homem que, ao passar por ela, voltou e arremessou uma pedra que a atingiu na perna. “Na hora, a gente não pensa, fica nervosa. Saí correndo e nem olhei direito pra ele”, relatou Luciana, que ressaltou ter descrença na efetividade de possíveis investigações sobre esse crime. A violência física é o ápice de uma série de agressões diárias, de acordo com ela. “Fora os olhares, os puxões de véus e os ataques via internet que disseminam ódio e fazem várias associações com o Islã que nós sabemos que não é verdade. É muito triste”, desabafou.

Paula reforçou que as agressões são de longa data. “Desde o dia 11 de setembro (dia do ataque às torres gêmeas do World Trade Center, em Nova York), os ataques que nós sofremos vão se sucedendo”. Os ataques físicos contra ela coincidiram com momentos em que o terrorismo estava em alta na mídia: a época da morte de Osama Bin Laden e do atentado contra o jornal satírico francês Charlie Hebdo, por exemplo. A última agressão sofrida por Paula veio à tona logo após o ocorrido em Paris no último dia 13. Ela andava pela rua quando um usuário do transporte público gritou, de dentro do ônibus, palavras de baixo calão e cuspiu em seu hijab (véu usado pelas muçulmanas).

“Hoje em dia, no Brasil e em Curitiba, se você sofrer preconceito racial, você vai se pintar de branco para conseguir ser aceito? Eu vou ter que tirar o meu véu para poder andar na rua? A mídia não pode mais coadunar com essa situação. A gente não pode mais sair com os nossos filhos na rua por causa do medo de ser agredida. Meu filho de nove anos não tem ido à escola porque ele está com medo. As pessoas falam que a mãe dele é mulher-bomba”, desabafa Paula com os olhos cheios de lágrima. “Nós temos o direito à nossa identidade, de demonstrar a nossa fé e de nos vestir da maneira como achamos certo. Não sei por que isso incomoda tanta gente”, acrescentou Luciana.

Tanta violência e intolerância que a comunidade muçulmana tem sofrido demonstram seus impactos na saúde mental das vítimas. Paula relata a dificuldade de superar as agressões e a maneira como elas a afetam emocionalmente. “Eu sou ser humano. Todos esses episódios que aconteceram comigo estão aqui, não descem, não dá pra digerir isso”, disse.

Resistência à islamofobia começa a ganhar corpo em Curitiba

Para o porta-voz da Sociedade Beneficente Muçulmana do Paraná, Omar Nasser Filho, o silêncio sobre as agressões precisa ser quebrado e a comunidade entrará em contato com a Comissão de Defesa dos Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil no Paraná (OAB-PR), com a Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) e o Conselho Estadual de Promoção da Igualdade Racial (Consepir). Omar ressalta que a mobilização do grupo não é por vingança, e sim para que as pessoas pensem duas vezes antes de praticar a Islamofobia.

Omar ressalta que as mulheres estão mais suscetíveis às agressões e ao ódio devido ao uso do véu, o que facilita a identificação delas como muçulmana. “Não bastassem todos tipos de violência que a mulher sofre em nossa sociedade, agora vivenciamos também a violência de caráter religioso e étnico”, relatou.

“Infelizmente, pessoas ignorantes, mal informadas e preconceituosas têm usado o noticiário como instrumento para poder extravasar o seu ódio. O Brasil não é um país do ódio, nós reafirmamos a nossa crença nas instituições do Estado brasileiro, na legislação brasileira, acreditamos no Estado de Direito e vamos usar daquilo que a lei nos oferece para não só penalizar aqueles que são os perpetradores desses atos, mas também para garantir a nossa segurança na condição de cidadãos brasileiros”, relata Omar.