Um dos maiores retrocessos para o campo da Saúde Mental está prestes a se concretizar no Brasil. Por indicação do Ministro da Saúde Marcelo Castro, a coordenação geral de Saúde Mental, Álcool e Outras Drogas pode ser concedida ao médico psiquiatra Valencius Wurch Duarte Filho, reconhecido por seu posicionamento contrário à Reforma Psiquiátrica e por seu envolvimento na gestão do maior (e um dos piores) manicômios da América Latina, o Hospital Psiquiátrico Dr. Eiras, que ficava no município de Paracambi (RJ). Praticamente todas as entidades da Psicologia no Brasil já repudiaram mais essa grave ameaça aos direitos das pessoas com transtorno mental e estão promovendo ações de resistência à nomeação.
A aguerrida luta de movimentos sociais, psicólogas/os, médicas/os e da sociedade civil do Brasil vem conquistando, desde a década de 70, importantes avanços para o tratamento de pessoas em sofrimento psíquico no Brasil. A Reforma Psiquiátrica, em vigor desde 2001, modernizou o tratamento dado a essa parcela da população e deu início ao reconhecimento dos direitos das pessoas com transtornos mentais. As barreiras ainda são muitas, já que a concepção de doenças psiquiátricas defendida pelas instituições manicomiais ainda se faz presente. Mas nenhum desses desafios se compara ao retrocesso que é a nomeação de Valencius Wurch à coordenação de Saúde Mental. Essa decisão, que recai sobre toda a população brasileira, representa os interesses de uma política de privatização da saúde, de violação aos princípios fundamentais do SUS, da lei da Reforma Psiquiátrica e dos Direitos Humanos.
A luta pela criação de uma nova forma de promover o cuidado pode ser ignorada e desperdiçada em nome da desumanidade dos manicômios e de quem lucra com eles. O Sindicato dos Psicólogos do Paraná manifesta seu repúdio e convoca a categoria para uma grande mobilização contrária à nomeação de Valencius para a formulação de nossas políticas de saúde mental.