“É preciso muita organização e enfrentamento para a conquista de melhores condições de trabalho”, diz Raquel Guzzo

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Psicóloga, professora e integrante do Conselho Federal de Psicologia (CFP), Raquel Guzzo desembarca em Curitiba nesta sexta-feira (30) para conversar com as/os psicólogas/os paranaeses sobre o lugar da Psicologia na crise econômica que afeta o Brasil

psicologia em tempos de criseNesta sexta-feira (30), a psicóloga, professora e integrante do Conselho Federal de Psicologia (CFP), Raquel Guzzo (CRP 06/577) , estará em Curitiba para a palestra Psicologia em tempos de crise, organizada pelo Sindicato dos Psicólogos do Paraná em conjunto com o Centro Acadêmico de Psicologia da PUC-PR. A palestra integra a programação da Semana Acadêmica de Psicologia da universidade.

Graduada em Psicologia pela PUC de Campinas, mestre e doutora pela Universidade de São Paulo e pós-doutora pela University of Rochester, Raquel atualmente é professora titular da PUC de Campinas e discute a formação e intervenção profissional a partir de uma perspectiva crítica sobre temáticas como psicologia escolar e comunitária, indicadores de risco e proteção ao desenvolvimento da criança e do adolescente, psicologia social da libertação, avaliação e intervenções preventivas e psicossociais etc.

A equipe de comunicação do Sindypsi PR conversou com Raquel sobre a crise econômica que afeta o Brasil. Para a psicóloga, não há como falar de crise sem mencionar o momento que o capitalismo vive no mundo. “A crise nada mais é do que um mecanismo para que o capitalismo reequilibre seus próprios pilares de sustentação. Trata-se de um processo complexo que demonstra a dinâmica presente nas relações de produção e reprodução da vida, e se manifestam tanto na esfera econômica quanto nas relações entre as classes sociais”, aponta Raquel.

A crise econômica que vivemos hoje, segundo Raquel, é parte do desenvolvimento desigual e combinado do mercado mundial. O fluxo seria mais ou menos assim: para a sobrevivência de todos e todas, é necessária a produção de riqueza. Acontece que essa riqueza é produzida de forma coletiva, mas apropriada de maneira individual. “Fica, então, instaurada a separação entre aqueles que produzem a riqueza e os que detém os meios de produção”, explica.

E o Psicólogo nesse cenário?

Para falar sobre a Psicologia no contexto da crise, Raquel resgata o cenário em que a Psicologia surgiu no mundo. No Brasil, a regulamentação da profissão se dá em 1962 e, de acordo com Raquel, com a chegada da ditadura militar, “a formação da psicologia se reorganiza para o abandono das propostas mais sociais e coletivas de atuação e toma como predominância o modelo clínico e atendimento individualizante como práticas de um perfil profissional autônomo e liberal”.

Este cenário mudou nos últimos anos, de acordo com a professora. Hoje, a Psicologia adentrou as políticas públicas e está presente na Saúde, na Assistência Social e no sistema judiciário, fator que modificou severamente as características da categoria. “De profissional autônomo e liberal, (o psicólogo) passou a ser servidor público ou terceirizado e pauperizado em contratos vulneráveis geridos por instituições privadas que recebem recursos públicos para suprirem as carências do estado no atendimento à população, como é o caso, por exemplo, das instituições de Educação Infantil ou prestadoras de assistência”, pontua Raquel.

Quando interrogada sobre o papel da/o psicóloga/o no cenário de crise, Raquel demonstra algumas preocupações quanto ao conhecimento psicológico e à prática profissional da categoria. “Destaco a tendência de atribuir peso excessivo a fatores individuais para explicar comportamentos sociais ou a analisar problemas sociais como desajustamentos psicológicos sem levar em conta a estrutura econômica e classista do sistema social”, aponta.

Nem antes e nem depois da “entrada oficial” do Brasil na crise o psicólogo e a psicóloga foram devidamente valorizados, especialmente os do serviço público. Mas Raquel salienta que essa condição é não exclusividade das/os trabalhadoras/es da Psicologia. “Basta olharmos para a categoria de professores e outros profissionais que atuam na Saúde ou Assistência. Isso é uma demonstração inequívoca de que aqueles que ganham mais são profissionais que trabalham para o fortalecimento do capital, como funcionários de alto escalão em empresas, ou os que exploram a força de trabalho dos outros”, constata a psicóloga.

“A valorização de quem trabalha não é uma questão naturalizada ou dada. É preciso muita organização e enfrentamento para a conquista de melhores condições de trabalho.”
Raquel Guzzo

O papel da/o psicóloga/o na luta pela dignidade das pessoas trans

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A transexualidade ainda é considerada um transtorno mental pela Organização Mundial da Saúde (OMS). O mesmo ocorria com a homossexualidade até 1990. A falta de reconhecimento e a consequente negação de direitos afetam diretamente a saúde mental dessa parcela da população. Onde se encaixa a/o psicóloga/o nesse contexto?

Marcelo Caetano participou da terceira edição do UFPR Fora do Armário, realizado na faculdade de Direito da UFPR
Marcelo Caetano participou da terceira edição do UFPR Fora do Armário, realizado na faculdade de Direito da UFPR

O Dia Internacional pela Despatologização da Transexualidade é comemorado, em 2015, no dia 24 de outubro. Anualmente, a campanha mundial Stop Trans Pathologization (STP) seleciona um dia para dar mais visibilidade a essa pauta tão importante. A transexualidade (condição de alguém cuja identidade de gênero não se enquadra no gênero que lhe foi assinalado ao nascimento) ainda é considerada um transtorno mental na Classificação Internacional de Doenças (CID). O mesmo ocorria com a homossexualidade até 1990.

Para o estudante de Ciência Política da Universidade de Brasília (UnB) e ativista da luta trans, Marcelo Caetano, a patologização das identidades de gênero trans acaba por negar o direito à humanidade a essa parcela da população. “Dizer que essa identidade é uma doença significa dizer que há algo errado em existir dessa forma, que houve um erro, um desvio. A medicina tenta provar se esse erro é genético, neurológico, se tem origem embrionária… São muitas as hipóteses, mas todas elas consideram que a identidade trans é um desvio no caminho de um ser saudável”, critica Marcelo, primeiro transexual que obteve o direito de utilizar o nome social dentro da Universidade de Brasília.

A patologização da população trans abre pretexto, segundo Marcelo, para que não sejam desenvolvidas políticas de reversão a cenários alarmantes, como o fato de nove entre dez mulheres trans viverem da prostituição. “Esse número é um escândalo, ele demonstra a catástrofe produzida pela transfobia, que é justificada pela ciência médica. Esse processo de patologização é, no final das contas, a própria origem do abismo em termos de direitos e acesso a políticas com que as pessoas trans se deparam hoje”, afirma.

E qual seria o papel da Psicologia nesse cenário? Para Marcelo, o processo de verificação da identidade trans, operado especialmente pelos saberes Psi, usam como “modelo” a identidade cisgênera (cenário em que a identidade de gênero da pessoa se adequa ao gênero que lhe foi designado no nascimento). A Psicologia precisaria reformular, de acordo com o estudante, as possibilidades de colaborar para a emancipação desses corpos.

“Pessoas trans, muitas vezes, têm uma experiência de sofrimento que poderia se beneficiar de práticas de cuidado, afinal de contas, a transfobia é um motor de sofrimento mental. Mas essas pessoas precisam ser enxergadas como pessoas, com questões múltiplas, diferentes vivências. Pessoas trans não são apenas isso, são uma multiplicidade de coisas que precisa de atenção e cuidados. Então, é preciso compreender isso na hora de pensar as práticas da Psicologia”, sugere Marcelo.

A saúde mental da população LGBT

Para falar sobre a saúde mental da população de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais (LGBT), o psicólogo e assessor sindical do Sindypsi PR, Cesar Fernandes (CRP 08/16715), foi convidado para participar, ao lado de Marcelo Caetano, do seminário UFPR Fora do Armário, realizado pelo Partido Acadêmico Renovador (PAR), do curso de Direito da Universidade Federal do Paraná, na manhã da sexta-feira do dia 16. Cesar abordou o poder exercido pelos saberes médicos e psicológicos na patologização e estigmatização da população LGBT.

Debate Saúde Mental e população LGBT, na terceira edição do seminário UFPR Fora do Armário
Debate Saúde Mental e população LGBT, na terceira edição do seminário UFPR Fora do Armário

Cesar fez um resgate sobre a função do saber médico e das instituições hospitalares na definição do que se encaixa na normalidade. “O hospital sempre teve a função de acolhimento. Mas, com o passar do tempo, este espaço também começou a exercer a função de recolhimento e higienização social. No século XVII, o hospital ocupou um terceiro espaço entre a Polícia e a Justiça em um processo de “limpeza” de camadas excluídas da sociedade. Prostitutas, hereges, alquimistas, órfãos e as pessoas homossexuais e transexuais eram internadas. O médico era o responsável por dirigir estes espaços com um tríplice poder: o de denunciar, julgar e executar o recolhimento”, recorda Cesar.

A concordância entre sexo biológico, gênero e orientação sexual, normatizada pela heterossexualidade e cisgeneridade , que, segundo Cesar, perdura até os dias de hoje, dá legitimidade à ideia de que apenas esse arranjo é legítimo. “Esse processo de naturalização transforma em doença qualquer desarranjo. A partir disso, é criado um processo de estigmatização, que é quando a pessoa tem uma característica pontual que é socialmente invalidada e deslegitimada, e isso se torna a característica geral da pessoa, como se a ela fosse só aquilo”, explica.

É nesse sentido que se encaixa a fala de Marcelo Caetano, homem trans, estudante de Ciência Polícia da UnB e militante da causa LGBT. Para ele, a sociedade produz desigualdades em torno da questão do corpo, ou, como ele menciona, sobre a “ideia de corpos precários”. “O corpo define os sujeitos que têm direitos e os que não têm. Essas demarcações vêm inseridas no corpo, em determinadas marcas que são carregadas a partir do corpo. Eu, a princípio, não carrego nada que diga que eu sou uma pessoa trans, mas por ter nascido com determinado corpo, o mundo diz que eu sou uma pessoa que deve se submeter a uma série de precariedades”, aponta Marcelo.

Marcelo entende a patologização da transexualidade como uma questão política que controla os corpos. Esse domínio, de acordo com o estudante, recai mais fortemente nos corpos que são mais precários seja por questão de raça, de classe ou de localidade. “Por exemplo, um corpo trans branco com ensino superior completo é muito diferente de um corpo trans negro que não conseguiu terminar o ensino fundamental. Esse cenário se reverte em práticas concretas definidas pela maneira como nós somos corporalmente”, exemplifica.

Em relação à saúde mental da população LGBT, Marcelo questiona a ideia de que há corpos que precisam ser protegidos de outros corpos, cuja existência precisa ser exterminada. Exemplo desse pensamento seria o discurso de ódio de fundamentalistas religiosos contra a população LGBT. “Dificilmente alguém vai falar disso abertamente, mas a prática política de algumas instituições têm esse efeito. É muito cruel que existam índices de suicídios tão altos dentro da população LGBT. Essa é uma forma de controle que, aparentemente, deixa as pessoas com as mãos limpas”, confronta Marcelo.

cesarCesar ressalta que, com o boom, nos anos 1980, do HIV/Aids no Brasil, o discurso médico contribuiu para a estigmatização da população LGBT. Por conta disso, criou-se a cultura de falar predominantemente da saúde sexual de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais, menosprezando uma parte importante da saúde dessa parcela da população: a saúde mental. “Por isso são necessárias políticas públicas de atenção à saúde integral desse segmento, e não só à saúde sexual. Essa é só uma parte do que somos”, aponta Cesar.

E como essa ausência de legitimidade afeta a saúde mental das pessoas LGBTs? Para Cesar, esse segmento da população se sente marginalizado na medida em que tem sua experiência de vida contestada, colocada em um patamar de não legítimo. “A incessantes disputa por legitimidade promove uma insegurança muito grave para a população LGBT, não só jurídica, mas também emocional”, explica.

A saída para esse cenário seria as lutas pela despatologização da transexualidade e o fomento a espaços de orgulho LGBT. “É importante ressaltar que não é a vivência da nossa sexualidade que nos causa problemas. É a incapacidade da sociedade em reconhecer a comunidade LGBT como legítima. Isso sim adoece”, finaliza.

O papel da/o psicóloga/o na luta pela dignidade das pessoas trans

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A transexualidade ainda é considerada um transtorno mental pela Organização Mundial da Saúde (OMS). O mesmo ocorria com a homossexualidade até 1990. A falta de reconhecimento e a consequente negação de direitos afetam diretamente a saúde mental dessa parcela da população. Onde se encaixa a/o psicóloga/o nesse contexto?

Marcelo Caetano participou da terceira edição do UFPR Fora do Armário, realizado na faculdade de Direito da UFPR
Marcelo Caetano participou da terceira edição do UFPR Fora do Armário, realizado na faculdade de Direito da UFPR

O Dia Internacional pela Despatologização da Transexualidade é comemorado, em 2015, no dia 24 de outubro. Anualmente, a campanha mundial Stop Trans Pathologization (STP) seleciona um dia para dar mais visibilidade a essa pauta tão importante. A transexualidade (condição de alguém cuja identidade de gênero não se enquadra no gênero que lhe foi assinalado ao nascimento) ainda é considerada um transtorno mental na Classificação Internacional de Doenças (CID). O mesmo ocorria com a homossexualidade até 1990.

Para o estudante de Ciência Política da Universidade de Brasília (UnB) e ativista da luta trans, Marcelo Caetano, a patologização das identidades de gênero trans acaba por negar o direito à humanidade a essa parcela da população. “Dizer que essa identidade é uma doença significa dizer que há algo errado em existir dessa forma, que houve um erro, um desvio. A medicina tenta provar se esse erro é genético, neurológico, se tem origem embrionária… São muitas as hipóteses, mas todas elas consideram que a identidade trans é um desvio no caminho de um ser saudável”, critica Marcelo, primeiro transexual que obteve o direito de utilizar o nome social dentro da Universidade de Brasília.

A patologização da população trans abre pretexto, segundo Marcelo, para que não sejam desenvolvidas políticas de reversão a cenários alarmantes, como o fato de nove entre dez mulheres trans viverem da prostituição. “Esse número é um escândalo, ele demonstra a catástrofe produzida pela transfobia, que é justificada pela ciência médica. Esse processo de patologização é, no final das contas, a própria origem do abismo em termos de direitos e acesso a políticas com que as pessoas trans se deparam hoje”, afirma.

E qual seria o papel da Psicologia nesse cenário? Para Marcelo, o processo de verificação da identidade trans, operado especialmente pelos saberes Psi, usam como “modelo” a identidade cisgênera (cenário em que a identidade de gênero da pessoa se adequa ao gênero que lhe foi designado no nascimento). A Psicologia precisaria reformular, de acordo com o estudante, as possibilidades de colaborar para a emancipação desses corpos.

“Pessoas trans, muitas vezes, têm uma experiência de sofrimento que poderia se beneficiar de práticas de cuidado, afinal de contas, a transfobia é um motor de sofrimento mental. Mas essas pessoas precisam ser enxergadas como pessoas, com questões múltiplas, diferentes vivências. Pessoas trans não são apenas isso, são uma multiplicidade de coisas que precisa de atenção e cuidados. Então, é preciso compreender isso na hora de pensar as práticas da Psicologia”, sugere Marcelo.

A saúde mental da população LGBT

Para falar sobre a saúde mental da população de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais (LGBT), o psicólogo e assessor sindical do Sindypsi PR, Cesar Fernandes (CRP 08/16715), foi convidado para participar, ao lado de Marcelo Caetano, do seminário UFPR Fora do Armário, realizado pelo Partido Acadêmico Renovador (PAR), do curso de Direito da Universidade Federal do Paraná, na manhã da sexta-feira do dia 16. Cesar abordou o poder exercido pelos saberes médicos e psicológicos na patologização e estigmatização da população LGBT.

Debate Saúde Mental e população LGBT, na terceira edição do seminário UFPR Fora do Armário
Debate Saúde Mental e população LGBT, na terceira edição do seminário UFPR Fora do Armário

Cesar fez um resgate sobre a função do saber médico e das instituições hospitalares na definição do que se encaixa na normalidade. “O hospital sempre teve a função de acolhimento. Mas, com o passar do tempo, este espaço também começou a exercer a função de recolhimento e higienização social. No século XVII, o hospital ocupou um terceiro espaço entre a Polícia e a Justiça em um processo de “limpeza” de camadas excluídas da sociedade. Prostitutas, hereges, alquimistas, órfãos e as pessoas homossexuais e transexuais eram internadas. O médico era o responsável por dirigir estes espaços com um tríplice poder: o de denunciar, julgar e executar o recolhimento”, recorda Cesar.

A concordância entre sexo biológico, gênero e orientação sexual, normatizada pela heterossexualidade e cisgeneridade , que, segundo Cesar, perdura até os dias de hoje, dá legitimidade à ideia de que apenas esse arranjo é legítimo. “Esse processo de naturalização transforma em doença qualquer desarranjo. A partir disso, é criado um processo de estigmatização, que é quando a pessoa tem uma característica pontual que é socialmente invalidada e deslegitimada, e isso se torna a característica geral da pessoa, como se a ela fosse só aquilo”, explica.

É nesse sentido que se encaixa a fala de Marcelo Caetano, homem trans, estudante de Ciência Polícia da UnB e militante da causa LGBT. Para ele, a sociedade produz desigualdades em torno da questão do corpo, ou, como ele menciona, sobre a “ideia de corpos precários”. “O corpo define os sujeitos que têm direitos e os que não têm. Essas demarcações vêm inseridas no corpo, em determinadas marcas que são carregadas a partir do corpo. Eu, a princípio, não carrego nada que diga que eu sou uma pessoa trans, mas por ter nascido com determinado corpo, o mundo diz que eu sou uma pessoa que deve se submeter a uma série de precariedades”, aponta Marcelo.

Marcelo entende a patologização da transexualidade como uma questão política que controla os corpos. Esse domínio, de acordo com o estudante, recai mais fortemente nos corpos que são mais precários seja por questão de raça, de classe ou de localidade. “Por exemplo, um corpo trans branco com ensino superior completo é muito diferente de um corpo trans negro que não conseguiu terminar o ensino fundamental. Esse cenário se reverte em práticas concretas definidas pela maneira como nós somos corporalmente”, exemplifica.

Em relação à saúde mental da população LGBT, Marcelo questiona a ideia de que há corpos que precisam ser protegidos de outros corpos, cuja existência precisa ser exterminada. Exemplo desse pensamento seria o discurso de ódio de fundamentalistas religiosos contra a população LGBT. “Dificilmente alguém vai falar disso abertamente, mas a prática política de algumas instituições têm esse efeito. É muito cruel que existam índices de suicídios tão altos dentro da população LGBT. Essa é uma forma de controle que, aparentemente, deixa as pessoas com as mãos limpas”, confronta Marcelo.

cesarCesar ressalta que, com o boom, nos anos 1980, do HIV/Aids no Brasil, o discurso médico contribuiu para a estigmatização da população LGBT. Por conta disso, criou-se a cultura de falar predominantemente da saúde sexual de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais, menosprezando uma parte importante da saúde dessa parcela da população: a saúde mental. “Por isso são necessárias políticas públicas de atenção à saúde integral desse segmento, e não só à saúde sexual. Essa é só uma parte do que somos”, aponta Cesar.

E como essa ausência de legitimidade afeta a saúde mental das pessoas LGBTs? Para Cesar, esse segmento da população se sente marginalizado na medida em que tem sua experiência de vida contestada, colocada em um patamar de não legítimo. “A incessantes disputa por legitimidade promove uma insegurança muito grave para a população LGBT, não só jurídica, mas também emocional”, explica.

A saída para esse cenário seria as lutas pela despatologização da transexualidade e o fomento a espaços de orgulho LGBT. “É importante ressaltar que não é a vivência da nossa sexualidade que nos causa problemas. É a incapacidade da sociedade em reconhecer a comunidade LGBT como legítima. Isso sim adoece”, finaliza.

O psicólogo e a capacidade de trabalhar e amar

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Competividade, pressão organizacional e relação turbulenta com os colegas de trabalho são características comuns do mundo do trabalho hoje em dia. Contraditoriamente, estes itens formam a receita perfeita para o surgimento de casos de assédio moral. Como ficam a psicóloga e o psicólogo neste cenário? De que maneira as práticas de assédio atingem a categoria? Este é o tema da segunda matéria da série Chega de Silêncio. Confira!

chega_de_silencio

As condições de trabalho deixam cada vez mais pessoas doentes. A Organização Internacional do Trabalho (OIT) estima que, anualmente, ocorrem 160 milhões de casos não fatais de doenças relacionadas ao trabalho. Já a Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta que a depressão já está no topo da lista de doenças que tornam a população incapaz de trabalhar. Por conta do envolvimento direto com grandes cargas emocionais, as/os psicólogas/os não estão blindadas deste mal. Mas, para além da relação com o paciente, há outros problemas do ambiente de trabalho que podem desencadear em sofrimento.

Para o psicólogo e professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), José Roberto Heloani (CRP 06/43418), as relações de poder dentro da organização podem conduzir a um cenário de assédio moral. “O psicólogo que destoar de forma significativa da ideologia da organização em que trabalha, se ele não tiver um bom preparo, é provável que sofra assédio”, alerta. Um dos maiores estudiosos do tema no Brasil, Heloani ressalta que não há uma característica específica do assédio sofrido pela categoria, mas chama a atenção para algumas perspectivas.

A função de apontar e resolver os problemas das organizações pode levar o psicólogo, segundo Heloani, a uma posição instável dentro da empresa. “Por incomodar e diferir das demais pessoas, ele pode ser assediado. Ele está apontando um problema que existe e que, provavelmente, boa parte daquelas pessoas conhecia, mas que, por várias razões, não convinha explicitar”. Nestes casos, Heloani assegura que o importante é não se isolar.

A psicóloga e especialista em saúde do trabalhador, Fernanda Zanin (CRP 08/15746), compartilha da mesma preocupação quanto ao impacto da intervenção do psicólogo frente às chefias. “Nas empresas em que o psicólogo trabalha com Recursos Humanos, por exemplo, é difícil ele aceitar o olhar frio para o ser humano. Essa perspectiva infelizmente pode fazer com o psicólogo chame a atenção e seja assediado por esses motivos”, comenta.

Heloani reforça que o compromisso do profissional deve ser primeiro com a dignidade humana e depois com a produtividade da empresa, mas salienta que é arriscado cair no isolamento. “Se o psicólogo se isolar, se ele tiver uma visão ingênua da organização, ele perde o respaldo e acaba se tornando o sujeito que aponta os problemas, mas que é obrigado a recuar. Ele se torna uma presa frágil. O psicólogo que entra em um cenário desse deve estar instumentalizado através do seu Conselho Regional de Psicologia, suas associações e sindicatos”, orienta.

“O assédio moral tem sua função. Nessas áreas, ele é usado para moldar ou afastar os sujeitos”
José Roberto Heloani

O outro como inimigo

As particularidades do trabalho da/o psicóloga/o podem resultar em assédio moral não só em grandes corporações, alerta Heloani. O confronto com colegas de trabalho também ocorre em grande medida nos hospitais, onde a lógica empresarial também está presente. “O psicólogo muitas vezes sente dificuldade de fazer uma análise das relações de poder. É uma pessoa que não está acostumada a fazer a leitura do coletivo, e óbvio que tem a ver com a formação dele. Ao entrar em um hospital, ele tem que entender que o ambiente que não é “santo”. A sua relação com o paciente é interposta por muitas variáveis. Por isso, tem que ter atualização política”, indica o professor.

O fato de haver visões diferentes sobre um mesmo problema ou paciente pode causar conflitos, principalmente porque, no Brasil, algumas profissões conquistaram, de acordo com Heloani, “uma representação social de liderança”. Este é o caso dos médicos. Ainda que este cenário crie turbulências no ambiente de trabalho, engana-se quem acredita que o assédio moral horizontal (feito de trabalhador para trabalhador) é um problema pessoal.

“O assédio moral tem sua função. Nessas áreas, ele é usado para moldar ou afastar os sujeitos. Desqualificá-los, desmoralizá-los. Geralmente, o assédio não é pessoal. A sua função é colocar aquela lógica, ideologia, e até concepção teórica daquele local na cabeça do psicólogo, ou então ele começa a adoecer, ou ele fica tão desqualificado que não consegue trabalhar. É uma forma simples de você simplesmente colocar o sujeito para a fora. Para a empresa isso é bom. Quando o sujeito pede as contas, a empresa sequer tem que arcar com as verbas rescisórias”, explica Heloani.

Capacidade de trabalhar e amar

Para Sigmund Freud, ter saúde mental significa ter a capacidade de trabalhar e amar. Esta habilidade estaria cada vez mais distante das pessoas, já que, segundo Heloani, existe, nas organizações, uma crescente competitividade criada pelo capitalismo. “O psicólogo deixa de ser colega e passa a ser rival. Aí a gente acaba tendo um ambiente que fica negativo, que não soma, no qual as pessoas pensam e agem de forma individual mesmo utilizando um discurso de cooperação. Cria-se uma lógica cínica que termina em adoecimento. Isso é muito patológico, haja vista que não trabalhamos só 8 horas. Por conta da informática, trabalhamos muito mais”, analisa Heloani.

Para a advogada trabalhista Gabriela Caramuru, que trabalha com casos de assédio moral, as relações interpessoais no trabalho são diretamente afetadas pelo ambição dos empresários e empregadores em extrair o máximo de produtividade das/dos trabalhadoras/es, independente das consequências desses métodos em suas vidas. “Essa organização do trabalho, que permite a exploração, é própria do modelo de produção em que vivemos: o capitalismo. Certamente, o assédio moral e a competição gerada entre os trabalhadores contribuem para um ambiente de trabalho ruim”, assegura.

Frente ao cansaço e à exploração, mas tendo que defender um discurso falacioso de cooperação, a/o psicóloga/o tende a entrar em crise. “O trabalho continua sendo central na vida das pessoas. As pessoas constroem a sua imagem por meio do trabalho. Quando a diferença entre o que é idealizado e o que é real aumenta, essa diferença bruta causa a crise identitária. Não existe uma identidade pessoal dissociada da profissional. A pessoa é uma só, mas com diferentes papéis”, aponta Heloani.

“O trabalho se ransformou num prêmio de loteria e é provável que esse sentimento também passe para a vida pessoal. Seria até esquizofrênico uma pessoa ser insegura no trabalho e segura na vida privada”
José Roberto Heloani

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O Sindypsi PR está aqui para te ajudar. Se você está passando por alguma situação de assédio moral ou sexual, entre em contato com a gente pelo e-mail assediomoral@sindypsipr.com.br . O atendimento será sigiloso e chegaremos juntos a uma solução para o seu caso.

Confira a primeira matéria da série Chega de Silêncio -> Assédio moral, um crime marcado pelo silêncio e sofrimento

O psicólogo e a capacidade de trabalhar e amar

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Competividade, pressão organizacional e relação turbulenta com os colegas de trabalho são características comuns do mundo do trabalho hoje em dia. Contraditoriamente, estes itens formam a receita perfeita para o surgimento de casos de assédio moral. Como ficam a psicóloga e o psicólogo neste cenário? De que maneira as práticas de assédio atingem a categoria? Este é o tema da segunda matéria da série Chega de Silêncio. Confira!

chega_de_silencio

As condições de trabalho deixam cada vez mais pessoas doentes. A Organização Internacional do Trabalho (OIT) estima que, anualmente, ocorrem 160 milhões de casos não fatais de doenças relacionadas ao trabalho. Já a Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta que a depressão já está no topo da lista de doenças que tornam a população incapaz de trabalhar. Por conta do envolvimento direto com grandes cargas emocionais, as/os psicólogas/os não estão blindadas deste mal. Mas, para além da relação com o paciente, há outros problemas do ambiente de trabalho que podem desencadear em sofrimento.

Para o psicólogo e professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), José Roberto Heloani (CRP 06/43418), as relações de poder dentro da organização podem conduzir a um cenário de assédio moral. “O psicólogo que destoar de forma significativa da ideologia da organização em que trabalha, se ele não tiver um bom preparo, é provável que sofra assédio”, alerta. Um dos maiores estudiosos do tema no Brasil, Heloani ressalta que não há uma característica específica do assédio sofrido pela categoria, mas chama a atenção para algumas perspectivas.

A função de apontar e resolver os problemas das organizações pode levar o psicólogo, segundo Heloani, a uma posição instável dentro da empresa. “Por incomodar e diferir das demais pessoas, ele pode ser assediado. Ele está apontando um problema que existe e que, provavelmente, boa parte daquelas pessoas conhecia, mas que, por várias razões, não convinha explicitar”. Nestes casos, Heloani assegura que o importante é não se isolar.

A psicóloga e especialista em saúde do trabalhador, Fernanda Zanin (CRP 08/15746), compartilha da mesma preocupação quanto ao impacto da intervenção do psicólogo frente às chefias. “Nas empresas em que o psicólogo trabalha com Recursos Humanos, por exemplo, é difícil ele aceitar o olhar frio para o ser humano. Essa perspectiva infelizmente pode fazer com o psicólogo chame a atenção e seja assediado por esses motivos”, comenta.

Heloani reforça que o compromisso do profissional deve ser primeiro com a dignidade humana e depois com a produtividade da empresa, mas salienta que é arriscado cair no isolamento. “Se o psicólogo se isolar, se ele tiver uma visão ingênua da organização, ele perde o respaldo e acaba se tornando o sujeito que aponta os problemas, mas que é obrigado a recuar. Ele se torna uma presa frágil. O psicólogo que entra em um cenário desse deve estar instumentalizado através do seu Conselho Regional de Psicologia, suas associações e sindicatos”, orienta.

“O assédio moral tem sua função. Nessas áreas, ele é usado para moldar ou afastar os sujeitos”
José Roberto Heloani

O outro como inimigo

As particularidades do trabalho da/o psicóloga/o podem resultar em assédio moral não só em grandes corporações, alerta Heloani. O confronto com colegas de trabalho também ocorre em grande medida nos hospitais, onde a lógica empresarial também está presente. “O psicólogo muitas vezes sente dificuldade de fazer uma análise das relações de poder. É uma pessoa que não está acostumada a fazer a leitura do coletivo, e óbvio que tem a ver com a formação dele. Ao entrar em um hospital, ele tem que entender que o ambiente que não é “santo”. A sua relação com o paciente é interposta por muitas variáveis. Por isso, tem que ter atualização política”, indica o professor.

O fato de haver visões diferentes sobre um mesmo problema ou paciente pode causar conflitos, principalmente porque, no Brasil, algumas profissões conquistaram, de acordo com Heloani, “uma representação social de liderança”. Este é o caso dos médicos. Ainda que este cenário crie turbulências no ambiente de trabalho, engana-se quem acredita que o assédio moral horizontal (feito de trabalhador para trabalhador) é um problema pessoal.

“O assédio moral tem sua função. Nessas áreas, ele é usado para moldar ou afastar os sujeitos. Desqualificá-los, desmoralizá-los. Geralmente, o assédio não é pessoal. A sua função é colocar aquela lógica, ideologia, e até concepção teórica daquele local na cabeça do psicólogo, ou então ele começa a adoecer, ou ele fica tão desqualificado que não consegue trabalhar. É uma forma simples de você simplesmente colocar o sujeito para a fora. Para a empresa isso é bom. Quando o sujeito pede as contas, a empresa sequer tem que arcar com as verbas rescisórias”, explica Heloani.

Capacidade de trabalhar e amar

Para Sigmund Freud, ter saúde mental significa ter a capacidade de trabalhar e amar. Esta habilidade estaria cada vez mais distante das pessoas, já que, segundo Heloani, existe, nas organizações, uma crescente competitividade criada pelo capitalismo. “O psicólogo deixa de ser colega e passa a ser rival. Aí a gente acaba tendo um ambiente que fica negativo, que não soma, no qual as pessoas pensam e agem de forma individual mesmo utilizando um discurso de cooperação. Cria-se uma lógica cínica que termina em adoecimento. Isso é muito patológico, haja vista que não trabalhamos só 8 horas. Por conta da informática, trabalhamos muito mais”, analisa Heloani.

Para a advogada trabalhista Gabriela Caramuru, que trabalha com casos de assédio moral, as relações interpessoais no trabalho são diretamente afetadas pelo ambição dos empresários e empregadores em extrair o máximo de produtividade das/dos trabalhadoras/es, independente das consequências desses métodos em suas vidas. “Essa organização do trabalho, que permite a exploração, é própria do modelo de produção em que vivemos: o capitalismo. Certamente, o assédio moral e a competição gerada entre os trabalhadores contribuem para um ambiente de trabalho ruim”, assegura.

Frente ao cansaço e à exploração, mas tendo que defender um discurso falacioso de cooperação, a/o psicóloga/o tende a entrar em crise. “O trabalho continua sendo central na vida das pessoas. As pessoas constroem a sua imagem por meio do trabalho. Quando a diferença entre o que é idealizado e o que é real aumenta, essa diferença bruta causa a crise identitária. Não existe uma identidade pessoal dissociada da profissional. A pessoa é uma só, mas com diferentes papéis”, aponta Heloani.

“O trabalho se ransformou num prêmio de loteria e é provável que esse sentimento também passe para a vida pessoal. Seria até esquizofrênico uma pessoa ser insegura no trabalho e segura na vida privada”
José Roberto Heloani

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O Sindypsi PR está aqui para te ajudar. Se você está passando por alguma situação de assédio moral ou sexual, entre em contato com a gente pelo e-mail assediomoral@sindypsipr.com.br . O atendimento será sigiloso e chegaremos juntos a uma solução para o seu caso.

Confira a primeira matéria da série Chega de Silêncio -> Assédio moral, um crime marcado pelo silêncio e sofrimento

Evento discute as consequências sociais da guerra às drogas

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No próximo sábado, 17 de outubro, será realizado o debate “Consequências sociais da guerra às drogas”, promovido pelo GT Estudantes SindyPsiPR, com apoio do Conselho Regional de Psicologia do Paraná (CRP) e do Sindypsi PR.

O debate terá início às 14h e será realizado no Auditório Nélio Pereira da
Silva, na sede do CRP, que fica na Av. São José, 699, Cristo Rei, Curitiba.

O evento é gratuito e aberto ao público em geral. As vagas são limitadas. Haverá emissão de certificados via e-mail. As inscrições devem ser realizadas pelo gtestudantessindypsipr@gmail.com (enviar nome completo e e-mail).

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Cohapar continua em silêncio em relação à jornada de 30 horas para os psicólogos

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Mesmo com dois pareceres protocolados pelo Sindypsi PR, gestão da Cohapar permanece sem se pronunciar em relação à revindicação da categoria

psicologia_30_horas

O Sindicato dos Psicólogos do Paraná (Sindypsi PR) protocolou dois pareceres à Companhia de Habitação do Paraná (Cohapar) solicitando a equiparação da jornada de trabalho dos assistentes sociais e dos psicólogos. Com a aprovação do Projeto de Lei 12.317/2010, a categoria dos assistentes sociais conquistou a redução da jornada de trabalho semanal para no máximo 30 horas. A luta dos psicólogos, no entanto, esbarrou na Presidência da República. Após seis anos de mobilização, o PL 3.338/2008, que amenizaria a rotina dos psicólogos brasileiros, foi vetado pela presidenta Dilma Rousseff. Desde então, o Sindicato dos Psicólogos do Paraná promove lutas pelas 30 horas em locais de trabalho.

A regulamentação da jornada de 30 horas para as/os assistentes sociais colocou à margem a atuação do psicólogo. As duas categorias trabalham em conjunto no acolhimento, nas entrevistas, nos planejamentos, intervenções e elaborações das ações com a população. Contraditoriamente, a carga horária do psicólogo é maior que a do assistente social, cenário que viola o Princípio da Isonomia ou Igualdade Constitucional.

O Sindypsi PR está ao lado das psicólogas e dos psicólogos da Cohapar pela implementação de jornadas de trabalho condizentes e justas.

Cohapar continua em silêncio em relação à jornada de 30 horas para os psicólogos

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Mesmo com dois pareceres protocolados pelo Sindypsi PR, gestão da Cohapar permanece sem se pronunciar em relação à revindicação da categoria

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O Sindicato dos Psicólogos do Paraná (Sindypsi PR) protocolou dois pareceres à Companhia de Habitação do Paraná (Cohapar) solicitando a equiparação da jornada de trabalho dos assistentes sociais e dos psicólogos. Com a aprovação do Projeto de Lei 12.317/2010, a categoria dos assistentes sociais conquistou a redução da jornada de trabalho semanal para no máximo 30 horas. A luta dos psicólogos, no entanto, esbarrou na Presidência da República. Após seis anos de mobilização, o PL 3.338/2008, que amenizaria a rotina dos psicólogos brasileiros, foi vetado pela presidenta Dilma Rousseff. Desde então, o Sindicato dos Psicólogos do Paraná promove lutas pelas 30 horas em locais de trabalho.

A regulamentação da jornada de 30 horas para as/os assistentes sociais colocou à margem a atuação do psicólogo. As duas categorias trabalham em conjunto no acolhimento, nas entrevistas, nos planejamentos, intervenções e elaborações das ações com a população. Contraditoriamente, a carga horária do psicólogo é maior que a do assistente social, cenário que viola o Princípio da Isonomia ou Igualdade Constitucional.

O Sindypsi PR está ao lado das psicólogas e dos psicólogos da Cohapar pela implementação de jornadas de trabalho condizentes e justas.