Encontro reuniu dezenas de psicólogas/os que procuram saídas para problemas na relação com os planos de saúde
No último sábado (11), psicólogas e psicólogos se reuniram com o Grupo de Trabalho de Clínicas do Sindypsi PR e com a Comissão de Psicologia Clínica do CRP-PR para conversar sobre problemas na relação com os planos de saúde. Baixa remuneração, o tempo insuficiente dos atendimentos e número limitado de sessões foram as principais queixas levantadas. O encontro foi a primeira iniciativa de escuta de psicólogas/os que enfrentam problemas com os planos de saúde.
Na terça-feira (21), o GT de Clínicas do Sindypsi PR e a Comissão de Psicologia Clínica do CRP-PR vão participar de uma reunião conjunta para avaliar o primeiro evento e dar continuidade aos encaminhamentos.
Você está enfrentando problemas na sua relação com os planos de saúde? Envie um e-mail para sindypsipr@sindypsipr.com.br e fique por dentro das próximas atividades do GT de Clínicas do Sindypsi PR.
Sindypsi PR produz vídeo em homenagem a ataque que vitimou 50 pessoas e deixou outras 53 feridas em boate LGBT de Orlando, nos Estados Unidos. Curitiba teve uma vigília contra a LGBTfobia na segunda-feira (13)
Na madrugada do último domingo, um atentado contra uma boate LGBT de Orlando, EUA, matou 50 pessoas e deixou outras 53 feridas. É o atentado mais mortal promovido em território americano depois da queda das torres gêmeas, em 11/09/2001. A crueldade do episódio reacendeu o debate sobre a discriminação e o ódio contra gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais (LGBT) em todo o mundo. No Brasil, não haveria de ser diferente.
Na noite de segunda-feira (13), o Sindypsi PR participou de uma Vigília Contra a LGBTfobia realizada em Curitiba. As dezenas de pessoas presentes estavam em silêncio, ainda consternadas. Abraçavam-se e consolavam-se. “Poderia ser um de nós”, diziam alguns cartazes.
Para prestar uma homenagem às vítimas do atentado e alertar para os perigos do preconceito contra LGBTs, o Sindypsi PR produziu um vídeo chamado “Psicólogas/os contra o preconceito”. Assista:
Na manhã desta sexta-feira (10), o Sindypsi PR participou do lançamento do dossiê sobre a situação do Hospital de Clínicas da UFPR, que está enfrentando um duro processo de precarização. O relatório faz parte da campanha A Ebserh está matando o HC, realizada por sindicatos e entidades estudantis Na manhã desta sexta-feira (11), cerca de 150 pessoas lotaram o auditório do Setor de Ciências da Saúde da Universidade Federal do Paraná (UFPR) para o lançamento do dossiê sobre a situação do Hospital de Clínicas (HC) da UFPR depois da entrada da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) há cerca de dois anos. Trabalhadoras/es, estudantes e usuárias/os dos serviços do HC sofrem com a falta de materiais, equipamentos e profissionais. O maior hospital público do estado está abandonado. Na última semana, o Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR) cogitou interditar Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) do HC e deu o prazo de 120 dias para que a instituição melhore a qualidade do atendimento. O lançamento do dossiê se encaixa nesse cenário de desmonte do HC.
Na mesa de saudação, representantes das entidades que produziram o dossiê fizeram uma saudação aos presentes e à campanha A Ebserh está matando o HC. O Sindicato dos Psicólogos do Paraná (Sindypsi PR), a Associação dos Professores da Universidade Federal do Paraná (APUFPR), o Sindicato dos Médicos do Paraná (Simepar PR), o Sindicato dos Trabalhadores em Educação das Instituições Federais de Ensino Superior no Estado do Paraná (Sinditest PR) e o Diretório Central Estudantil (DCE-UFPR) são as entidades responsáveis pelo dossiê e pela campanha.
Participação do Sindypsi PR
A psicóloga e diretora do Sindypsi PR Fernanda Zanin (CRP 08/15746) ressaltou que a participação do sindicato se insere na luta pela defesa do Sistema Único de Saúde (SUS), conquista que está sob ameaça de desmonte e de privatizações. “O Hospital de Clínicas da UFPR é uma referência em saúde em todo o estado. Não podemos deixar que ele morra”, defendeu Fernanda.
A psicóloga mencionou que o dossiê traz depoimentos sobre a prática de assédio moral dentro do HC e reiterou a disponibilidade do Sindypsi PR em combater essa prática no ambiente de trabalho. “Todos os trabalhadores têm direito a uma rotina digna, sem chantagens e assédio moral. Não podemos mais tolerar este modelo de gestão”, afirmou.
Não faltaram críticas à Ebserh nos discursos dos convidados da mesa de abertura. A presidente da APUFPR, Maria Suely Soares, defendeu uma UFPR autônoma, gratuita e de qualidade para que a instituição continue com o prestígio que tem. Já Darlei Rugeir, representante do Sindicato dos Médicos, criticou a campanha “Anjos do HC”, que tem o objetivo de angariar verba do Governo Estadual e de federações industriais e comerciais, um claro ataque ao caráter público do hospital. “Nós não queremos esmola, nós temos direito constitucional à verba. Não somos balão de ensaio para acabar com a universidade pública”, criticou.
Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), medida aprovada pelo governo federal e pelas universidades federais, passou a gerenciar hospitais universitários de todo o país. Dois anos depois, a comunidade acadêmica, as/os trabalhadoras/es e a população atendida pelo Hospital de Clínicas da UFPR convivem com a falta de profissionais, materiais e medicamentos. Não há outra saída senão denunciar que A Ebserh está matando o HC.
Você sabe o que é a Ebserh? A criação da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares foi aprovada pelo Governo Federal por meio da Medida Provisória (MP) 520/2010. Trata-se de uma empresa pública de direito privado que ficou responsável pela gestão de todos os Hospitais Universitários do país. As justificativas dos favoráveis ao projeto alegavam a necessidade de mudança por conta dos “problemas de gestão”. As comunidades acadêmicas de diversas universidades, o movimento estudantil e as entidades que defendem os princípios do Sistema Único de Saúde (SUS) se mobilizaram para que o projeto não avançasse. Infelizmente, a pressão do Governo Federal e a intransigência das reitorias da universidades federais aprovaram a adesão de quase todos os hospitais universitários à Ebserh.
A sessão do Conselho Universitário (Coun) da UFPR que aprovou o repasse do Hospital de Clínicas à Ebserh foi realizada no dia 28 de agosto de 2014. O episódio foi marcado por intensa repressão policial e um regime de votação bastante controverso: parte da votação chegou a ser realizada pelo telefone celular, em uma clara demonstração da fragilidade da democracia universitária.
Dois anos depois, os alertas realizados pelos movimentos sociais que questionaram a empresa se tornaram realidade. Faltam funcionários, materiais e medicamentos para o funcionamento básico do Hospital de Clínicas, que é o maior hospital público do Paraná e único do estado gerido pelo governo federal. As condições de trabalho pioraram, o que se reverte em maior desgaste de trabalhadoras e trabalhadores e inequívoca queda na qualidade do atendimento.
Para continuar resistindo aos ataques à saúde e defendendo os princípios do SUS, o Sindypsi PR integra a campanha A Ebserh está matando o HC, realizada pelo Sindicato dos Psicólogos do Paraná, pela Associação dos Professores da Universidade Federal do Paraná (APUFPR), pelo Sindicato dos Médicos do Paraná (Simepar PR), o Sindicato dos Trabalhadores em Educação das Instituições Federais de Ensino Superior no Estado do Paraná (Sinditest PR) e o Diretório Central dos Estudantes da UFPR (DCE UFPR). O objetivo é aprofundar a análise das consequências da Ebserh no HC e informar à sociedade dos perigos da privatização da saúde. Fique por dentro e acompanhe a situação do HC!
Espaço de escuta e formulação é fruto de reclamações de psicólogas/os clínicos vinculados às empresas de saúde
No sábado (11), o Grupo de Trabalho de Clínica do Sindicato dos Psicólogos do Paraná e a Comissão de Psicologia Clínica do Conselho Regional de Psicologia do Paraná vão realizar um encontro com psicólogas/os clínicas/os para debater condições de trabalho nos planos de saúde. O Dialogando com psicólogas/os clínicas/s sobre planos de saúde surgiu após as entidades receberem reclamações de psicólogas/os insatisfeitas/os com a falta de autonomia no trabalho (número de sessões anuais, tempo de consulta etc) e com o baixo valor pago a cada atendimento.
O objetivo do primeiro encontro é iniciar um mapeamento da situação da parcela da categoria que está vinculada a planos de saúde e formular saídas coletivas para o problema.
——– Dialogando sobre Psicólogas/os Clínicas/os Sobre Planos de Saúde
Data: 11/06 Horários: Das 8h30 às 12h30 Local: Sede do CRP-PR (Av. São José, 699 – Cristo Rei – Curitiba / Há estacionamento no local, com entrada pela rua Palotinos)
Venho por meio dessa nota comunicar o meu afastamento temporário da presidência do Sindicato dos Psicólogos do Paraná. O meu desligamento da diretoria do Sindypsi PR e a ampla divulgação da iniciativa são exigências legais, visto que estou listado como pré-candidato a vereador em Curitiba. Estarei afastado durante o período eleitoral, ou seja, por 4 meses. Após as eleições municipais, a depender do resultado, retorno às minhas tarefas sindicais. A presidência do Sindypsi PR ficará a cargo do psicólogo Tiago Morales Calve (CRP 08/18270).
Saio entusiasmado com o atual momento do Sindypsi PR. Hoje, o nosso sindicato ocupa posição de destaque na defesa do profissional e na construção de uma Psicologia mais crítica e alinhada às demandas sociais. Muita coisa ainda precisa ser feita, mas não tenho dúvidas de que estamos no caminho certo. Mesmo afastado, jamais abandonarei as nossas lutas. Estarei, a todo momento, defendendo nossas bandeiras enquanto profissional e colaborador do sindicato.
Certo da compreensão e do apoio de toda a categoria,
Thiago Bagatin
Curitiba, 31 de maio de 2016.
Além do número elevado de usuários, unidade sofre com infraestrutura precária. Vidros quebrados, falta de materiais e até de água mineral prejudicam o atendimento prestado à população em sofrimento mental
Foto: Vinicius Torresan / Sindypsi PR
Trabalhadoras/es do Centro de Atenção Psicossocial III Portão TM, de Curitiba, sofrem com a falta de estrutura e com promessas não cumpridas pela Fundação Estatal de Atenção Especializada em Saúde (FEAES). Entre as queixas, estão a superlotação e precariedade das instalações do centro. A gestão da FEAES aceitou iniciar a transição de usuários do CAPS Portão para outras unidades em março de 2016, mas a promessa não saiu do papel.
O CAPS Portão atende, atualmente, usuários de quatro distritos: Portão, Pinheirinho, Tatuquara e 50% da demanda da Cidade Industrial de Curitiba (CIC). A proposta aprovada previa a transferência dos usuários da CIC para o CAPS II Bigorrilho, que já atende os outros 50% da demanda do bairro. O CAPS Portão atende ainda 10 equipes do Núcleo de Apoio a Saúde da Família, 32 Unidades de Saúde, duas Residências Terapêuticas e 380 usuários inseridos. De acordo com as trabalhadoras e os trabalhadores, a quantidade e diversidade dos usuários dificulta a articulação dos profissionais e o acompanhamento das demandas.
Em documento entregue à FEAES no mês de março, as/os trabalhadoras/es fazem um alerta em relação à sobrecarga do trabalho. “Infelizmente, episódios de desestabilização emocional, enxaqueca, dores de estômago, alteração no ciclo sono – vigília, frustração e cansaço constante são sintomas frequentes nos trabalhadores deste serviço”, registra a carta.
Precarização da infraestrutura
A lista dos itens da estrutura que estão comprometidos é longa. São 7 vidros, cinco trincos e dois boxes quebrados. Além disso, faltam talheres, papel higiênico, papel toalha, copos, água mineral e produtos de limpeza. O trabalho da equipe fica prejudicado com a quantidade insuficiente de materiais para o uso cotidiano, como caneta, lápis, clips e caneta para lousa, custos que muitas vezes saem do bolso dos próprios trabalhadores. Além disso, o CAPS não possui internet e sala de avaliação clínica.
Os trabalhadores aguardam esclarecimentos sobre os atrasos nos cumprimentos dos acordos e esperam que, em breve, possam trabalhar com melhor estrutura e mais dignidade.
Proposta patronal é de 6% de reajuste. Categoria aprovou paralisação e Sindesc pede correção salarial de 9,8%, que corresponde ao INPC nacional, e 10% de aumento real
A sombra dos retrocessos ameaçam a política de saúde mental no Brasil. Há indícios de um retorno rápido da lógica dos manicômios, o que tende a fortalecer a Luta Antimanicomial. Para dar um passo à frente, é crucial revisitar o passado. Conversamos com a presidente do Conselho Regional de Serviço Social do Paraná (CRESS-PR), Wanderli Machado, participante ativa dos movimentos que efervesceram a luta por direitos nas décadas passadas.
Por Vinicius Torresan
Foto: Vinicius Torresan
Mais um 18 de maio chega. Dessa vez, o gosto é um pouco mais amargo. Com profundos retrocessos se aproximando da política de saúde mental, o Movimento da Luta Antimanicomial experimenta uma intensa rearticulação para resistir. Trabalhadores e usuários da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), conquista histórica do movimento, resistem à precarização do trabalho e seguem firmes contra os ataques aos princípios da Reforma Psiquiátrica. No longo caminho que se vê à frente, as vozes experientes têm mais potência pelo que viram, viveram e fizeram.
É o caso de Wanderli Machado. A assistente social de Curitiba, atual presidente do Conselho Regional de Serviço Social do Paraná (CRESS-PR), integrou os movimentos da Luta Antimanicomial e da Reforma Psiquiátrica dos anos 1970 para cá. Em conversa com o Sindypsi PR, a militante relembra que a luta pelo Sistema Único de Saúde (SUS) teve o mesmo pontapé da luta pela redemocratização do país. “As conquistas da Reforma Sanitária se dão a partir de movimentos de trabalhadores que desejavam a humanização do tratamento e melhores condições de trabalho. Mas era impossível debater o SUS sem falar da redemocratização. Os manicômio foram espaços de dominação e segregação que tinham tudo a ver com o projeto de uma sociedade excludente, onde se esconde o que é diferente. Todos sabíamos que a construção de uma sociedade sem manicômios não se daria em um regime de exceção”, conta.
A grande transformação promovida pelo SUS foi o enfrentamento ao modelo biologicista de medicina, reconhecido pela centralidade do hospital, do medicamento e do médico. “A prevalência desse modelo era muito excludente porque somente trabalhadores formais tinham acesso à saúde. Além disso, essa organização facilita a mercantilização da saúde ”, relata Wanderli. O questionamento da falta de universalidade da saúde pública brasileira dá surgimento grandes movimentos populares pela saúde, entre eles o Sanitarista.
Estamos falando do início da década de 1980. Wanderli era educadora social, alfabetizadora do Movimento Brasileiro de Alfabetização (Mobral) e adepta à ideologia freiriana. Nessa época, o Brasil assistiu ao surgimento de importantes forças, como o movimento estudantil, o movimento pela anistia, o movimento pela constituinte e o movimento pela redemocratização. “Toda essa efervescência política e popular se encontra com o desejo de uma nova constituição e a efetivação de um Estado de Direito que buscasse a justiça social e a universalidade. É nesse bojo que surge a luta antimanicomial”, conta.
Da idealização à realidade
Antes mesmo da aprovação da Lei 10.2016 de 2001, a famosa Lei da Reforma Psiquiátrica, os movimentos da saúde mental já gozavam de vitórias. O Movimento dos Trabalhadores em Saúde Mental (MTSM), criado em 1978, denunciou incansavelmente a mercantilização da loucura e a hegemonia da rede privada na assistência a pessoas em sofrimento mental. Esse trabalho abriu portas para que, em 1987, no II Congresso Nacional do MTSM, o lema principal fosse “Por uma sociedade sem manicômios”.
No ano de 1989, a cidade de Santos (SP) protagonizou o processo de fechamento de leitos em hospitais psiquiátricos e abertura de uma rede substitutiva com equipamentos territorializados. A partir de 1992, estados também aprovaram a descentralização do tratamento em saúde mental. Nesse período, as experiências positivas com os primeiros CAPS, Núcleos de Apoio Psicossocial (NAPS) e Hospiais-dia estimularam a criação de uma política nacional de saúde mental. “Foi a partir dessas experiências que o Ministério da Saúde começou a implantar serviços substitutivos. A Lei da Reforma Psiquiátrica vem para coroar um movimento que já existia”, lembra Wanderli.
A partir da aprovação da Lei em 2001, se intensifica a proteção de direitos das pessoas em sofrimento mental, a criação de linhas específicas de financiamento à saúde mental pelo Ministério da Saúde e a participação de trabalhadores e usuários na fiscalização e gestão. Cidadania, inclusão social e liberdade eram os princípios da Reforma Psiquiátrica, mas, para atingi-los, algumas reformulações teóricas eram imprescindíveis.
“Era necessário repensar a relação entre o profissional e o paciente. Para as categorias da saúde que seguem o modelo biologicista, e entre elas está grande parte dos médicos, o sujeito em tratamento é um objeto, uma doença. Imagina na psiquiatria, área em que o profissional tem poder sobre a mente e o corpo do paciente? Era necessário rever essa relação”, explica Wanderli.
Para Wanderli, a Reforma Psiquiátrica contribui muito ao mostrar que, para além do diagnóstico, existe uma vida pulsante. “Temos que entender que a doença não se instala de uma hora para outra. Dependendo da maneira como o sujeito vive, ele adoece. Ninguém nasce esquizofrênico. A gente pode ter heranças, mas depende muito da sua qualidade de vida”, enfatiza. Esse é o princípio norteador da teoria do Conceito Ampliado de Saúde, que inclui alimentação, habitação, educação, renda, meio ambiente, trabalho, transporte, emprego, lazer, liberdade e acesso a serviços públicos como condições necessárias para se garantir saúde. “Saúde tem condicionantes e determinantes. Temos que conhecer as determinações sociais do processo de adoecimento”, defende Wanderli.
É baseado neste conceito que a Reforma Psiquiátrica acelera a desospitalização das pessoas em sofrimento mental e cria serviços comunitários, territorializados e incentivadores do convívio social. “Em um tratamento excludente, as pessoas perdiam a dimensão da vida social. No atual modelo de tratamento, elas têm direitos, não são sequestradas. Todos temos limitações e potencialidade, e os serviços tratam as pessoas em suas possibilidades de inserção no mundo”, aponta Wanderli.
Resistência ao retrocesso
O SUS traz consigo a reorganização dos serviços de saúde. Por ser baseado no Conceito Ampliado de Saúde, sua gestão exige a preocupação com a maneira como as pessoas vivem. “Mas essa rede de serviço não interessa aos empresários da saúde”, critica Wanderli. “Qual é o custo de um hospital psiquiátrico? Quase nenhum. Não há tomógrafo, não há raio-X, não há tecnologias hospitalares. É um custo muito baixo e uma possibilidade de lucro muito grande porque, nos manicômios, as pessoas são internadas pagando uma fortuna. Além disso, é um grande estímulo à indústria farmacêutica”, aponta.
Para Wanderli, o que está em risco nessa onda de privatizações e desmonte do serviço público não é só a política de saúde mental. “A receita do Banco Mundial é a extinção do SUS da maneira como o conhecemos. Com certeza teremos um recuo no conceito ampliado de saúde”, lamenta, lembrando que as práticas manicomiais nem sempre estão restritas aos muros dos manicômios. “É o que vemos com as comunidades terapêuticas, por exemplo. São instituições super restritivas. Em resumo, são práticas manicomiais, mas com outra roupagem”, finaliza.
A saída seria a mobilização. “Mais do que nunca, é preciso denunciar as políticas que estão sendo implementadas e conversar com os trabalhadores e usuários sobre os retrocessos. Vamos apoiar as lutas e ir para a rua”.
Sindicato dos Fonoaudiólogos do Estado do Paraná renovou diretoria e promoveu um jantar para marcar a posse da nova diretoria. Sindypsi PR esteve presente
O Sindicato dos Fonoaudiólogos do Estado do Paraná (Sinfopar PR) renovou sua direção. A solenidade de posse dos novos diretores, conselheiros e suplentes foi realizada na noite de sexta-feira (14) no restaurante Mineira Gostosa e contou com a participação de outros sindicatos de categorias da saúde. Compareceram à cerimônia o Sindicato dos Nutricionistas do Paraná (Sinpar), o Sindicato dos Trabalhadores de Entidades Culturais, Recreativas, de Assistência Social, de Orientação e de Formação (Senalba), Sindicato dos Médicos Veterinários no Estado do Paraná (Sindivet) e o Sindicato dos Assistentes Sociais do Estado do Paraná (Sindasp PR).