Retrocessos na área de saúde mental em Curitiba

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saude-mental-sindypsiSindypsi propõe discussões e ações voltadas à Saúde Mental, apoio aos psicólogos que atuam na saúde pública, bem como incentivo à decisão participativa sobre possíveis alterações no formato de atendimento prestado nos CAPS

O Sindypsi PR verificou que está em curso em Curitiba um movimento de retrocesso na área da saúde mental. Trata-se de um desmanche no atual funcionamento dos Centros de Atenção Psicossociais (CAPS), que estão sofrendo com uma tendenciosa imposição de se tornarem híbridos, ou seja, sem uma separação entre atendimentos para pacientes com Transtorno Mental (TM) e pacientes com Dependência Química (AD), como tem funcionado até hoje de acordo com uma política nacional e local de atenção à saúde mental.

Entendemos que profissionais psicólogos que atuam nesta área apresentam muita dedicação, mas também um esgotamento emocional considerável, visto que, mesmo no formato atual, já assumem muitas responsabilidades técnicas, que ocorrem em demanda excessiva, como: atendimentos em maior parte grupais, tanto de pacientes e familiares já inseridos, quanto de acolhimentos; e atenção a crises. Os profissionais assumem tais responsabilidades e buscam, por vezes, treinamentos e capacitações por conta própria, para conseguir prestar um serviço de qualidade. Além disso, existe uma precariedade de equipamentos, de conservação, limpeza e segurança no espaço físico. Neste contexto, a saúde dos trabalhadores fica defasada em vários aspectos.

Salientamos que a responsabilidade técnica assumida pelos profissionais deve ser também da gestão, que deve prezar pela saúde dos seus trabalhadores e respeitar a habilidade técnica do psicólogo em realizar tanto o plano de tratamento, como em desenvolver o tratamento em si com qualidade.

Havendo uma junção dos CAPS TM e AD em um único espaço, a tendência será de perda de qualidade no trabalho e na saúde dos profissionais, bem como precariedade nos atendimentos para a população que utiliza o serviço, devido à singularidade de cada um dos tipos de atendimento e ao volume da demanda – principalmente se não houver contratação de mais psicólogos e profissionais de outras categorias.

Defendemos que haja reuniões, audiências públicas e discussão técnica e de gestão para uma decisão não simplesmente imposta pela gestão, mas sim, realizada por todos os envolvidos e para o bem de todos. Somente assim soluções coerentes são possíveis.

Defendemos a valorização da Psicologia em sua tecnicidade e a autonomia no tratamento de comorbidades mentais e comportamentais.

Propomos que profissionais psicólogos atuantes na área, nos equipamentos de tratamento em saúde mental, sejam ouvidos, valorizados e possam participar ativamente de toda e qualquer decisão que afetará diretamente o seu trabalho.

Defendemos o SUS para todos, com aumento na garantia de acesso e com avanços. Queremos atendimentos em saúde mental com qualidade, sem retrocessos, sem CAPS híbridos.

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