PARA O GOVERNADOR BETO RICHA, EDUCAÇÃO É CASO DE POLÍCIA

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Joka Madruga
crédito: Joka Madruga

 

Na última quarta-feira, dia 29 de abril, milhares de professoras, professores, servidores e estudantes foram à Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) exigir que os deputados estaduais retirassem da pauta o Projeto de Lei 252/2015, de autoria do governador Beto Richa (PSDB). O PL permite que o governo do estado utilize por mês cerca de R$150 milhões do Fundo Previdenciário dos servidores para cobrir dívidas que o próprio Executivo estadual criou. A previsão é de que, em poucos anos, a previdência, fruto do suor dos trabalhadores paranaenses, esteja completamente comprometida.

Mesmo assim, o governador não se abriu ao diálogo e mostrou a que veio. A mando de Richa e do secretário de Segurança Pública, Fernando Francischini, o Batalhão de Choque da Polícia Militar promoveu um verdadeiro massacre contra milhares de trabalhadores do lado de fora da Alep . Do lado de dentro, deputados aprovavam mais esse ataque aos direitos da população. O saldo do massacre é estarrecedor: 213 pessoas feridas, oito em estado grave. Cerca de quatro mil policiais participaram dessa operação desproporcional.

A equipe do Sindicato dos Psicólogos do Paraná esteve na manifestação do dia 29 de abril e viu de perto o cenário de guerra em que se transformou a Casa do Povo. Dois psicólogos da diretoria do Sindypsi PR foram feridos por explosões de bombas de efeito moral e tiveram que receber atendimentos médicos. Foi certamente o maior ataque aos trabalhadores na história recente do Brasil. Na praça Nossa Senhora de Salete, que fica em frente à Alep, manifestantes foram bombardeados e encurralados indiscriminadamente pelo Batalhão de Choque da PM por mais de uma hora. As lágrimas eram inevitáveis.

Todo o Brasil se solidarizou com os nossos professores. O Paraná repercutiu em noticiários nacionais e internacionais como exemplo de repressão e autoritarismo. A tentativa do Governo do Paraná de atribuir a repressão à ação de “black blocs” logo foi desmentida por centenas de vídeos do massacre que circularam nas redes sociais. Nos estádios de futebol, milhares de torcedores gritaram “Fora, Beto Richa”. Fotos em apoio aos educadores paranaenses não param de chegar de todo o Brasil. O 29 de abril está marcado de vez na memória dos brasileiros como o dia em que a democracia sangrou.

Mas, afinal, o que esse episódio tem a dizer sobre o cenário político do Paraná? O massacre indica que a receita de Beto Richa para solucionar a crise do estado não vai medir esforços para retirar direitos dos trabalhadores. O jornal Gazeta do Povo publicou, no final do ano passado, que o Paraná é campeão em arrecadação entre todos os estados, mas que, mesmo com os cortes em serviços públicos, os aumentos de impostos e o desmonte da ParanáPrevidência, o governo estadual investirá menos em 2015. Os trabalhadores não podem pagar a conta desse caos gerado pela má gestão do governador Beto Richa.

Em resposta ao modelo tucano de governar, cerca de 20 mil manifestantes caminharam pela avenida Cândido de Abreu, em Curitiba, nesta terça-feira (5), em direção ao cenário onde foram massacrados uma semana antes. No mesmo dia, em assembleia da APP Sindicato, os professores e as professoras do estado decidiram manter a greve, que é um dos únicos instrumentos de luta dessa categoria frente ao saqueamento promovido pelo governo do estado. A luta continua.

O Sindicato dos Psicólogos do Paraná se solidariza com a mobilização dos servidores e das servidoras por entender que os direitos trabalhistas não podem servir de moedas de troca de uma elite política. Repudiamos o massacre do dia 29 de abril e exigimos que o governador Beto Richa e o secretário de segurança pública Fernando Francischini sejam responsabilizados pelos 213 feridos. Um governo que pretende resolver os problemas da educação com balas de borracha e bombas de efeito moral não pode ficar impune.

SOLIDARIEDADE AOS PROFESSORES E SERVIDORES DO PARANÁ.

Sindicato dos Psicólogos do Paraná
06/05/2015

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