O Sindicato dos Psicólogos do Paraná, entidade de organização e mobilização dos psicólogos e psicólogas paranaenses, torna público seu repúdio às afirmações homofóbicas proferidas pelo candidato à presidência do Brasil, Levy Fidelix, em Debate na TV Record na noite de 28 de setembro de 2014.
Entre diversas afirmações absolutamente desrespeitosas com a realidade de vida de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais, o candidato afirmou que “o mais importante é que estes que tem esses problemas realmente sejam atendidos no plano psicológico que é efetivo, mas bem longe da gente, bem longe mesmo, porque aqui não dá”.
Desde 1990, o CID 10 – Classificação Internacional de Doenças – desconsidera a homossexualidade uma doença ou transtorno mental, se adequando a recomendações técnicas da Organização Mundial de Saúde. Embora a transexualidade ainda esteja registrada como transtorno mental, diversos movimentos sociais se dedicam à luta pela despatologização das identidades trans*. Entre os psicólogos, a compreensão geral é de que as orientações sexuais e identidades de gênero diversas à normativa hetero e cisnormativa são plenamente legítimas, partes constitutivas das identidades dos sujeitos. Elas não conferem demérito a nenhum sujeito e por isso não as compreendemos como doenças, distúrbios ou perversões.
Desta forma, rechaçamos a indicação do candidato à Psicologia para que atendamos sujeitos LGBT na perspectiva de “tratamento” ou “cura”. Nos amparamos e reivindicamos a Resolução 01/99 (Conselho Federal de Psicologia), que proíbe aos psicólogos e psicólogas práticas estigmatizadoras e patologizadoras com relação às sexualidades LGBT.
O psicólogo, em nossa compreensão, deve atuar na contramão dos discursos discriminatórios e que firam os Direitos Humanos. Ao contrário do que defende Levy Fidelix, queremos as pessoas LGBT cada vez mais inclusas e protagonistas de suas vidas. Nossa ciência e nossa profissão devem estar a serviço da reflexão, da crítica aos processos produtores de violências e exclusão. Os psicólogos devem ser agentes da emancipação humana, compremetidos com um projeto de liberdade e vida.
Qualquer discurso que conclame a Psicologia a práticas de silenciamento e violência não nos representa.













































