Nova diretoria do Sindypsi PR reafirma compromissos de luta com a categoria

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Alguns dos integrantes da nova diretoria do Sindypsi PR na sede do CRP-PR
Alguns dos integrantes da nova diretoria do Sindypsi PR na sede do CRP-PR

A nova diretoria do Sindypsi PR foi empossada em cerimônia realizada neste sábado (5) na sede do Conselho Regional de Psicologia do Paraná. A mesa de saudação foi conduzida pela psicóloga Fernanda Zanin (CRP 08/15746) e pelos psicólogos Tiago Morales (CRP 08/18270) e Italo Esper (CRP 08/21239). A chapa vencedora foi a única a disputar a gestão 2016-2019 do Sindypsi PR. Na cerimônia, compareceram psicólogas/os, familiares dos diretores e entidades parceiras, entre elas o próprio CRP-PR e a Associação de Professores da Universidade Federal do Paraná (APUFPR).

Organização contra condições precárias de trabalho

Psicólogo e diretor do Sindypsi PR Tiago Morales fala sobre a precarização do trabalho
Psicólogo e diretor do Sindypsi PR Tiago Morales fala sobre a precarização do trabalho

O psicólogo e diretor do Sindypsi PR Tiago Morales trouxe reflexões sobre o mundo do trabalho e o acirramento da retirada de direitos das trabalhadoras e dos trabalhadores. “Assistimos ao crescimento da terceirização e à entrada do neoliberalismo nas relações de trabalho, o que causa um impacto profundo na vida de cada um e nas lutas por mudanças sociais”, apontou Tiago, que também problematizou a criação das fundações públicas de direito privado (como é o a FEAES, que gerencia os serviços de saúde de Curitiba, e a FUNEAS, administradora indireta da saúde do Paraná). “As fundações confundem o trabalhador, que fica sem saber a quem responder. São psicólogos e psicólogas que trabalham no mesmo local, mas respondem a diferentes patrões. Esse cenário enfraquece o sentimento de classe e o reconhecimento dos colegas de trabalho como iguais”, critica.

A razão de existir do sindicato é lutar por direitos, tarefa ainda mais desafiadora em momentos de crise. “É na hora da crise que a corda estoura para o lado mais fraco”, relembrou Tiago. Para o diretor, a unificação da categoria é necessária não só para conquistar mais direitos, mas também para evitar a perda de garantias já estabelecidas. “O Massacre do dia 29 de abril, protagonizado pelo governo Beto Richa (PSDB), mostrou isso aos trabalhadores: quando se cobra o que é de direito, o Estado responde inclusive com violência”, relembrou.

O que unifica as Psicologias?

Anteriormente elitizada e acessível a poucas pessoas, a Psicologia se inseriu nas políticas públicas com a Constituição de 1988, a implementação do Sistema Único de Saúde (SUS), do Sistema Único de Assistência Social (SUAS) e outros avanços que levaram os saberes dos psicólogos para demais espaços. “É bom que cada vez mais pessoas tenham acesso à nossa ciência, mas esse cenário revela a dificuldade de unificação da categoria. O desafio da nossa gestão é desvendar na diversidade o que nos unifica, que é a precarização das condições de trabalho”, apontou Tiago.

Psicóloga e diretora do Sindypsi PR Fernanda Zanin aborda a diversidade da categoria dos psicólogos

A psicóloga e diretora do Sindypsi PR Fernanda Zanin ressaltou a diversidade presente inclusive na gestão 2016-2019 do Sindypsi PR. “Somos de três cidades diferentes, atuamos na saúde, nas salas de aula, nos hospitais e clínicas, nos sistema prisional, na assistência social, na atenção a travestis e transexuais. Além disso, temos diferentes contratos de trabalho: somos celetistas, contratados por fundações, servidores públicos e autônomos. A diversidade da categoria também se reflete dentro do Sindypsi PR”, citou.

Como representar uma categoria tão diversa? Para Fernanda, os desafios são muitos, mas já se sabe por onde não caminhar. “Não queremos que a gestão do sindicato seja só da direção. É um erro quando isso acontece. Desejamos fortalecer e criar novos laços com a categoria, e essa diversidade pode nos ajudar no contato com mais ambientes de trabalho não só em Curitiba, mas também em cidades do interior”, enfatizou.

A nova gestão do Sindypsi PR reafirmou que dará continuidade à maioria das campanhas e reivindicações encabeçadas pela gestão anterior, entre as quais estão a jornada de 30 horas semanais, a regulamentação do piso salarial regional e o diálogo com os movimentos sociais da saúde mental e dos direitos humanos. Além disso, três atuações vão ganhar mais visibilidade na nova gestão: a luta contra o assédio moral, a resistência a editais de concursos com salários abusivos e a orientação de psicólogos/as sobre a quantia paga pelos planos de saúde. “A gente tem relatos de psicólogos que recebem R$3, R$5 por um atendimento, chegando a R$20 que geralmente é o topo. Precisamos unir esses psicólogos que trabalham tão sozinhos e isolados”, propôs Fernanda.

A Psicologia é desunida? 

Psicólogo e diretor do Sindypsi PR Italo Esper ressalta a união da categoria em torno da pauta das 30 horas
Psicólogo e diretor do Sindypsi PR Italo Esper ressalta a união da categoria em torno da pauta das 30 horas

Essa foi a provocação trazida pelo psicólogo e diretor do Sindypsi PR, Italo Esper, quanto ao perfil da categoria. Italo contestou essa frase tão ouvida pelos psicólogos e pelas psicólogas ao citar a campanha Psicologia: 30 Horas JÁ, encabeçada pelo Sindypsi PR, que mobilizou em 2014 e 2015 os psicólogos em torno da tramitação do projeto de lei no Congresso Nacional. “O Sindypsi PR foi um dos mais atuantes ao levar a categoria para a luta pelas 30 horas. Foram inúmeros artifícios usados para conquistar esse direito, desde panfletagem até debates nas universidades e municípios do interior.  Para nós, o debate era importante porque ele vai muito além da jornada de trabalho. Ele é sobre a saúde do trabalhador e da trabalhadora”, refletiu Italo.

Por fim, a psicóloga Solange Leite (CRP 08/9294 ), que falou em nome do Conselho Regional de Psicologia do Paraná, reforçou a união entre sindicato e conselho e suas pautas conjuntas. “Já fui representante do Sindypsi PR em algumas instâncias, hoje represento o CRP-PR, mas não há dúvidas de que o caminho para uma sociedade mais justa e igualitária na diversidade passa pela luta contra o machismo, o racismo, o extermínio da juventude, o preconceito e a defesa dos direitos humanos”, disse.

A gestão muda, mas os compromissos com a categoria não 

Eleito pela segunda vez presidente do Sindypsi PR, Thiago Bagatin (CRP 08/14425) reiterou os compromissos da gestão 2016-2019 com as temáticas históricas da Psicologia e as reivindicações das/dos psicólogas/os. “A gestão anterior mostrou que a mobilização da nossa categoria não é impossível, como vimos durante a campanha da jornada de 30 horas. O desafio é manter essa união para resistir e conquistar mais direitos para essa categoria tão importante para a saúde da população paranaense”, pontuou.

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