Hospital Oswaldo Cruz | Sindypsi PR assina carta-manifesto em defesa da instituição

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Tradicional centro de tratamento infectológico de Curitiba convive com a superlotação e a incerteza depois de uma decisão controversa da Secretaria de Saúde do estado. Sindicato dos Trabalhadores da Saúde Pública do Paraná (SindSaúde PR) alerta para o risco de desmonte da instituição

hoc-sindypsiPerto de completar 90 anos, o Hospital Oswaldo Cruz (HOC) é referência no tratamento infectológico. Localizada no centro de Curitiba, a unidade está passando por um momento delicado depois da decisão da Secretaria de Saúde (Sesa) do Paraná de ceder outro prédio, o da 2ª Regional de Saúde Metropolitana (mais conhecida como CRE Barão), à Fundação Estatal de Atenção em Saúde do Paraná (Funeas). O SindSaúde, entidade que representa as(os) servidoras(es) estaduais da saúde, alerta que a mudança superlotou o HOC, que se viu obrigado a atender as demandas do CRE Barão. Em uma Carta ao Povo Paranaense, o SindSaúde PR mostra em detalhes os atendimentos que foram afetados e as dúvidas geradas pela falta de diálogo e transparência por parte da pasta da Saúde.

Mas as incertezas não são de hoje. No começo do ano, o governo do estado anunciou uma reforma estrutural no HOC, com direito a determinação verbal de que a instituição não assumisse mais internamentos a partir do dia 18/02. O Sindicato e a comunidade do HOC fizeram uma intervenção e barraram a decisão, mas alguns setores foram fechados sem qualquer explicação, como explica a Carta-manifesto abaixo. A Sesa se limitou a dizer que o HOC não irá fechar, mas o histórico de falta de diálogo, marca do governo Beto Richa, mostra que nunca é exagero ficar em estado de alerta.

Confira a Carta ao Povo Paranaense produzida pelo SindSaúde e assinada por sindicatos, movimentos sociais e entidades de defesa do SUS.

Carta ao Povo Paranaense

Para favorecer a privatização, atendimento humanizado no Hospital Osvaldo Cruz pode virar coisa do passado

O charmoso Hospital Oswaldo Cruz (HOC), que fica na esquina das ruas Amintas de Barros com Ubaldino do Amaral em Curitiba, é um hospital da rede própria do SUS. É referência no Paraná para todo tipo de doença infectocontagiosa – meningite, hepatite, tuberculose, sífilis, herpes, AIDS entre tantas outras.

Perto de completar 90 anos, o HOC passa por um processo de mudanças. Não para melhorar o atendimento, mas porque a Sesa – Secretaria da Saúde – decidiu entregar outro prédio, o do CRE Barão, também no centro da capital, para os interesses da Funeas. Empresa Pública de interesse privado criada pelo governo, que repassa à Fundação as responsabilidades relacionadas à Saúde. Coube ao velho HOC absorver toda essa demanda.

Usuárias/os e trabalhadoras/es vivem dias de incertezas. O governo se limita a dizer que, se preciso for, irá transferir profissionais para outros locais, mas não diz sequer quantos profissionais devem permanecer na unidade. Com o fechamento de uma ala inteira para a instalação de um ambulatório, o hospital passou de 40 para 20 leitos.

E os pacientes, para onde irão? Sabemos que grande parte das unidades não está preparada para esse tipo de atendimento e quem trabalha com HIV precisa de educação continuada, de formação específica, de estar cotidianamente sensibilizado a atuar com esses pacientes.

O SindSaúde, Sindicato que representa as/os trabalhadoras/es daquela unidade, faz um alerta para que a gente abrace o Hospital e diga para a gestão Beto Richa que com Saúde não se brinca! Não podemos perder um hospital que é referência regional no atendimento ao portador de HIV. Já fizemos vários atos e materiais para alertar a população. Também estamos realizando um abaixo-assinado para chamar a população para essa briga. Acesse o site do SindSaúde e fortaleça essa corrente.

Confira os principais problemas gerados no atendimento com a fusão do HOC e do CRE Barão:

– Depois da reestruturação, os exames de Raio-X são laudados no Hospital do Trabalhador, na Zona Sul da cidade, e demoram até cinco dias para serem expedidos

– O ambulatório atende em média 90 pessoas por dia. Além do espaço reservado para esse atendimento não ter o tamanho adequado, também não há ventilação

– O ambulatório e o hospital vão funcionar no mesmo espaço, o que não é o mais indicado

– A farmácia do hospital tem espaço físico restrito, já tinha dificuldades para atender a demanda anterior, o que dirá agora, com atendimento externo

– Não há definição quanto à forma de controle de circulação de pacientes internados e daqueles que estão no aguardo de atendimento no ambulatório

– Bebês e crianças são assistidas pelo ambulatório de infectologia. Por que expor bebês e crianças que ainda estão desenvolvendo sua capacidade imunológica? A incompetência do governo coloca em risco a vida de crianças expostas a ambientes com agentes nocivos à saúde

– Óbitos acontecem em hospitais. E pelo espaço restrito do HOC, os corpos terão de passar próximo ao ambulatório. Algo totalmente repreensível e que pode mexer com a estabilidade emocional dos pacientes

– Ambiente hospitalar favorece a proliferação de vírus, fungos, bactérias e outros agentes. Ao levar crianças ou adultos imunodeprimidos para esses locais deve-se tomar muito cuidado. Como será e quem dará orientação a esses pacientes quanto ao uso de máscaras, higiene das mãos, entre outros cuidados necessários?

– Em Curitiba temos um óbito de AIDS a cada dois dias. Lógico que a assistência hospitalar tem de estar disponível aos pacientes.

Entre nessa luta em defesa do nosso patrimônio! #salveohoc

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