Mulheres rompem a hegemonia masculina no movimento sindical

0
1296

O sindicalismo pode ser ocupado pelas mulheres? As sindicalistas Giovana e Fernanda garantem: não só pode como deve. Para elas, é urgente que a mulher ocupe este espaço e debata as desigualdades de gênero como questões diretamente ligada à exploração do trabalho da mulher

giovana_piletti_sismmarAo ser eleita presidenta do Sindicato dos Servidores do Magistério de Araucária (Sismmar), região metropolitana de Curitiba, a professora Giovana Piletti se sentiu um pouco intimidada. “Na primeira assembleia que conduzi como presidente, eu era uma professora do primário, jovem e mulher. As pessoas desconfiavam do papel que eu iria desempenhar, já que meus antecessores na presidência eram homens. Quando a atividade terminou, me disseram: ‘até que você é boa’. Posso dizer que enfrentei um pouco de preconceito sim”, lembra Giovana, que atualmente dirige o setor de comunicação do Sismmar.

A trajetória de Giovana no sindicalismo já tem duas presidências do Sismmar, espaço que, de acordo com a professora, teve que ser conquistado. “A categoria das servidoras do magistério de Araucária é eminentemente feminina. Percebi que, mesmo com essa composição da base, quem ocupava os cargos de direção eram homens”. Sua condição de mulher lhe impôs situações de enfrentamento. “Eu percebia que me questionavam além do normal. Como eu compreendia o lugar que a mulher ocupa na sociedade, eu entendia que não era por mal. Mas a dificuldade existe”, aponta Giovana.

Giovana é uma das que romperam o ciclo de exclusividade masculina em lideranças sindicais e incentivaram a participação da mulher na luta trabalhista. Para a professora, os sindicatos devem acolher a mulher e incentivá-la e discutir os dilemas de gênero não como questões menores, mas como um tema diretamente relacionado à exploração. “As mulheres continuam ganhando menos que os homens pelo mesmo trabalho desempenhado e também são a maioria nos cargos terceirizados e desregulamentados. Não tenho dúvidas de que, no cenário de crise, desemprego e precarização do trabalho, a mulher é a mais prejudicada”, enfatiza.

O debate de gênero também está na agenda do Sismmar. Giovana aponta a importância de politizar esse tema, trazê-lo para o cotidiano das trabalhadoras. “Há lutas que não são especificamente salariais, mas afetam a mulher diretamente. Por exemplo, em que aspecto os problemas da educação afetam a trabalhadora? Na fábrica, quando ela não tem onde deixar os filhos. A regulamentação do trabalho doméstico também é uma reivindicação diretamente ligada às mulheres. O movimento sindical precisa se relacionar com essas pautas”, defende a professora.

Frente às dificuldades, o que desejar às mulheres nessa semana do dia 8 de março? Giovana não tem dúvidas de que a união é a solução. “Me parece que as mulheres estão se organizando e isso é muito importante. Eu indico que elas não se conformem com as dificuldades. Não é humano ter dupla jornada de trabalho e ainda se submeter sozinha ao trabalho doméstico. Temos que resistir, pois tudo que as mulheres conquistaram ao longo dos anos é fruto da nossa luta”, destaca a professora.

As mulheres sindicalistas da Psicologia

fernanda_zanin_sindicalistasNos últimos três anos, o Sindypsi PR conseguiu consolidou o debate de gênero e seus atravessamentos na vida das mulheres que trabalham com a Psicologia. Os e as dirigentes e a assessoria política do sindicato priorizou o debate das opressões machistas e da liberdade da mulher. Recém-empossada na nova direção do Sindypsi PR, a psicóloga Fernanda Zanin (CRP 08/15746), que dá os primeiros passos de sua trajetória no sindicalismo, reitera sua afinidade com a temática.

Especialista em saúde do trabalhador e da trabalhadora, Fernanda decidiu adentar o movimento sindical para se aproximar das dificuldades enfrentadas pelas psicólogas e psicólogos e ajudar a amenizá-las. “ Estudei e atuei em diversas categorias, diversos tipos de trabalhadores. Achei que seria coerente voltar esse olhar à minha própria categoria. Espero que eu consiga me debruçar sobre a situação da trabalhadora e do trabalhador da Psicologia e auxiliar na nossa luta”, deseja a diretora.

Na visão da psicóloga, há uma lacuna na atuação da maioria dos sindicatos: a falta de reflexão sobre as adversidades que a mulher enfrenta no mundo do trabalho. “Ainda vivemos um cenário desfavorável para as mulheres no movimento sindical. As mulheres continuam recebendo menos que os homens, por exemplo. Agora temos um trajeto a cumprir e podemos contribui muito nessa luta. O sindicato é lugar de mulher sim”, defende.

Sem comentários

Deixe uma resposta

*