PELO FIM DA REPRESSÃO – LUTAR NÃO É CRIME!

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No dia 13 de junho (sexta-feira), vinte e seis pessoas receberam uma intimação para comparecerem à Superintendência Regional da Polícia Federal do Paraná. Os intimados, em sua maioria jovens ativistas de movimentos sociais de Curitiba, têm participado regularmente de diversas manifestações políticas contra a gritante desigualdade social de Curitiba e Região. Um destes atos aconteceu no dia 12 de junho na Vila Barigui (Cidade Industrial de Curitiba), um manifesto em reação às enchentes que se abateram sobre esta comunidade. Os manifestantes reivindicavam resposta imediata e conclusiva da Prefeitura de Curitiba acerca dos encaminhamentos às famílias atingidas pelas fortes chuvas.

Não houve, por parte do movimento popular, nenhum tipo de violência ou atos de”vandalismo”, apenas o trancamento temporário de algumas ruas e o diálogo com a Polícia Militar do Paraná. Um dia depois desta manifestação, quase trinta pessoas foram intimadas à prestarem esclarecimentos à Polícia Federal nesta segunda-feira (16 de junho).

A luta contra os desmandos dos governos e pela dignidade ao povo levou, ao longo da história, gerações de jovens às ruas. No entanto, temos vivido uma intensificação da criminalização dos movimentos sociais que, ato a ato, têm sido reprimidos com mais truculência pelo Estado. Os movimentos se levantam contra as gravíssimas violações ao Direitos Humanos que tem dado o tom da Copa do Mundo no Brasil, marcada pelas remoções, pela higienização da pobreza e pela corrupção na construção dos megaeventos. A Lei Geral da Copa, patrocinada pela Fifa e com a anuência do Governo Federal regulamentou um estado de exceção no Brasil: prisões arbitrárias, excesso de forças armadas e a legitimação da truculência na repressão aos manifestantes.

Neste sentido, localizamos as intimações aos vinte e seis ativistas de Curitiba como mais uma expressão da sanha autoritária e inquisitória da Fifa e do Governo Federal. É intolerável a tentativa de silenciamento dos ativistas e movimentos sociais que marcharam antes, durante e seguirão nas ruas após a Copa do Mundo 2014.

Nos solidarizamos aos ativistas intimados e estendemos nossos braços para a resistência necessária à construção de uma nova sociedade, profundamente igualitária e justa à todos. Exigimos o fim imediato da criminalização dos manifestantes e da perseguição aos lutadores sociais.

Assinam:
• Comitê pela Desmilitarização da Polícia e da Política – Curitiba
• Comitê pela Desmilitarização da Polícia e da Política – São Paulo
• Comitê Popular da Copa – Curitiba
• Comitê Popular da Copa – Distrito Federal e entorno
• Sindicato dos Psicólogos do Paraná
• Terra de Direitos – Organização de Direitos Humanos
• DDH – Instituto de Defensores de Direitos Humanos – Rio de Janeiro
• ABGLT – Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais
• Grupo Dignidade – Curitiba
• CONAT – Corrente Nacional de Trabalhadores
• RUA – Juventude Anticapitalista
• Juntos!
• Coletivo Construção
• Jornal Germinal – Tambores do vento que vem
• Outros Outubros Virão
• Coletivo Quebrando Muros
• Frente de Esquerda – Direito UFPR
• Centro Acadêmico Hugo Simas – Direito UFPR
• Coletivo Maio – Direito UFPR
• Coletivo Anália – UTFPR
• Coletivo Gildas – UTFPR
• PSOL – Curitiba / Paraná / Setorial Nacional de Direitos Humanos
• Núcleo Periférico
• Insurgência
• LiHS – Liga Humanista Secular
• Tribunal Popular da Terra
• Marcha da Maconha – Curitiba
• Marcha das Vadias – Curitiba
• Frente Drogas e Direitos Humanos – Paraná
• Rádio Gralha
• Coletivo da Luta Antimanicomial – Paraná
• DCE Unicentro – Irati/PR
• DCE UFPR – Gestão “O novo sempre vem”
• DCE USP
• Givanildo Manoel – Militante de Direitos Humanos, São Paulo
• João Alfredo, vereador pelo PSOL Fortaleza, Ceará

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