{"id":5047,"date":"2016-05-04T16:29:07","date_gmt":"2016-05-04T19:29:07","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sindypsipr.com.br\/site\/?p=5047"},"modified":"2016-05-04T17:47:49","modified_gmt":"2016-05-04T20:47:49","slug":"um-ano-apos-o-massacre-tristeza-e-esperanca-convivem-sem-maiores-problemas","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.sindypsipr.com.br\/site\/um-ano-apos-o-massacre-tristeza-e-esperanca-convivem-sem-maiores-problemas\/","title":{"rendered":"Um ano ap\u00f3s o Massacre, tristeza e esperan\u00e7a convivem sem maiores problemas"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Quais s\u00e3o os rostos do 29 de abril? O que sentem as servidoras e os servidores que retornaram \u00e0 Pra\u00e7a Nossa Senhora de Salete um ano depois do Massacre do Centro C\u00edvico? Sem balas de borracha, sem helic\u00f3pteros que arremessam bombas, sem os Pit Bulls da Pol\u00edcia Militar do Paran\u00e1 e sem sangue, trabalhadoras\/es atingidas\/os pela altera\u00e7\u00e3o da Paranaprevid\u00eancia marcharam at\u00e9 a pra\u00e7a Nossa Senhora de Salete, palco do massacre, para n\u00e3o deixar que o mais triste epis\u00f3dio pol\u00edtico do estado caia no esquecimento. Um ano depois, esperan\u00e7a e tristeza convivem sem maiores problemas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-5048\" src=\"http:\/\/www.sindypsipr.com.br\/site\/..\/uploads\/2016\/05\/rostos-29-abril.jpg\" alt=\"rostos-29-abril\" width=\"709\" height=\"258\" srcset=\"http:\/\/www.sindypsipr.com.br\/site\/..\/uploads\/2016\/05\/rostos-29-abril.jpg 640w, http:\/\/www.sindypsipr.com.br\/site\/..\/uploads\/2016\/05\/rostos-29-abril-300x109.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 709px) 100vw, 709px\" \/>O \u201cFora, Beto Richa\u201d estava nas camisetas, nos adesivos e nas palavras de ordem das servidoras e servidores que compareceram \u00e0 manifesta\u00e7\u00e3o em mem\u00f3ria do Massacre do Centro C\u00edvico, realizado em 29 de abril de 2015 pela Pol\u00edcia Militar do Paran\u00e1. Mais de 200 pessoas sa\u00edram feridas do fat\u00eddico epis\u00f3dio, que estampou notici\u00e1rios no Brasil e no mundo. Um ano depois, as categorias prejudicadas pelo projeto de lei que alterou o funcionamento da Paranaprevid\u00eancia sa\u00edram \u00e0s ruas novamente. Indigna\u00e7\u00e3o, tristeza e esperan\u00e7a conviviam sem maiores problemas na pra\u00e7a Nossa Senhora de Salete, ponto final da manifesta\u00e7\u00e3o que reuniu cerca de 30 mil pessoas na \u00faltima sexta-feira (29).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Naquela quarta-feira, 29 de abril de 2015, mais de 200 cidad\u00e3os e cidad\u00e3s sa\u00edram feridos da opera\u00e7\u00e3o montada por 2.516 policiais que dispararam 1.413 bombas de fuma\u00e7a, g\u00e1s lacrimog\u00eanio e efeito moral, 2.323 balas de borracha e 25 garrafas de spray de pimenta contra os manifestantes. A conta da repress\u00e3o beira R$1 milh\u00e3o. Os n\u00fameros s\u00e3o da pr\u00f3pria Pol\u00edcia Militar do Paran\u00e1. Um ano depois, na mesma pra\u00e7a, o clima de tranquilidade contrastava com o cen\u00e1rio de guerra visto exatamente 365 dias antes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma fotografia virou s\u00edmbolo do Massacre e a professora que nela aparece se transformou numa esp\u00e9cie de m\u00e1rtir da mobiliza\u00e7\u00e3o. A coragem de Angela Alves Machado,que leciona Hist\u00f3ria em S\u00e3o Jos\u00e9 dos Pinhais, chamou a aten\u00e7\u00e3o de quem fotografava a opera\u00e7\u00e3o. Seu rosto em p\u00e2nico acabou circulando o mundo. Para ela, a indigna\u00e7\u00e3o com o ocorrido s\u00f3 serviu de combust\u00edvel para lutar mais. \u201cAt\u00e9 aquele momento, eu achava que vivia em um Estado Democr\u00e1tico de Direito. S\u00f3 n\u00e3o me prenderam porque eu disse que era professora e m\u00e3e de tr\u00eas filhos, mas vi adolescentes desarmados apanhando muito e sendo presos. Hoje, um ano depois, posso dizer que estou mais forte para lutar contra o desmonte da educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica no Paran\u00e1\u201d, assegurou a professora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os que sofreram com a repress\u00e3o em 2015 ocuparam a pra\u00e7a de outro jeito na \u00faltima sexta-feira (29). A pedagoga Eliane Pedrolo viajou de Nova Prata do Igua\u00e7u a Curitiba para participar da manifesta\u00e7\u00e3o. Quando a nossa reportagem se aproximou, Eliane estava sentada em uma toalha na grama, feito piquenique, almo\u00e7ando com suas colegas de profiss\u00e3o. Disse que retornar \u00e0 pra\u00e7a onde foi reprimida em 2015 n\u00e3o a despertou tantos sentimentos ruins. \u201cEu dependo do meu trabalho e tenho que valoriz\u00e1-lo, n\u00e3o \u00e9? A gente tem que lutar pelo bem comum. \u00c9 por isso que batalho pela educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica e de qualidade para todas e todos\u201d, disse a pedagoga.<\/p>\n<div dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">\n<div><span style=\"text-align: justify; line-height: 26px; font-family: Verdana,Geneva,sans-serif; font-size: 15px;\">J\u00e1 para a psic\u00f3loga Renata Moraes (CRP 08\/15962), voltar \u00e0 pra\u00e7a \u00e9 sin\u00f4nimo de resist\u00eancia. Trabalhadora do Tribunal de Justi\u00e7a do Paran\u00e1, Renata foi diretamente atingida pelo confisco de R$8 bilh\u00f5es do Fundo Previdenci\u00e1rio dos servidores estaduais. Ap\u00f3s relatar as cenas de horror que presenciou no Massacre, a psic\u00f3loga declarou que v\u00ea esperan\u00e7a na mobiliza\u00e7\u00e3o de quem trabalha. \u201c\u00c9 bom ver que, um ano depois, ningu\u00e9m est\u00e1 em casa chorando. Tem muita gente aqui, lembrando dessa data que, infelizmente, faz parte da nossa hist\u00f3ria. \u00c9 dif\u00edcil constatar a for\u00e7a que os tr\u00eas poderes t\u00eam para atuar contra o povo, mas nosso principal sentimento hoje \u00e9 de resist\u00eancia\u201d, pontuou.<br \/>\n<\/span><\/div>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pensativo, o professor de Sociologia Mario Celso Pasqualin lamentou que o posicionamento da Justi\u00e7a paranaense tenha sido praticamente nulo at\u00e9 agora. \u201cO sentimento \u00e9 de indigna\u00e7\u00e3o\u201d, disse. De acordo com o professor, outros governos estaduais protagonizaram ataques ao funcionalismo p\u00fablico, mas h\u00e1 algo que difere Beto Richa. \u201cO atual governo se superou pela falta de recursos, pela aus\u00eancia de cursos de capacita\u00e7\u00e3o e principalmente pela trucul\u00eancia com que trata as trabalhadoras e os trabalhadores\u201d, finalizou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sindypsi PR conversa com psic\u00f3logos que viveram o Massacre de perto<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para marcar o anivers\u00e1rio de um ano do Massacre do 29 de abril de 2015, o Sindypsi PR convidou psic\u00f3loga e psic\u00f3logos que vivenciaram a repress\u00e3o para contar o que viram. <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/sindypsi\/videos\/431106113756604\/\" target=\"_blank\">Clique aqui e confira o especial \u201c29 de Abril\u201d do Sindypsi PR<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quais s\u00e3o os rostos do 29 de abril? 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