{"id":4687,"date":"2015-11-23T17:51:16","date_gmt":"2015-11-23T20:51:16","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sindypsipr.com.br\/site\/?p=4687"},"modified":"2015-11-27T13:54:06","modified_gmt":"2015-11-27T16:54:06","slug":"a-gente-tem-medo-de-sair-de-casa-desabafa-muculmana-de-curitiba-vitima-de-islamofobia","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.sindypsipr.com.br\/site\/a-gente-tem-medo-de-sair-de-casa-desabafa-muculmana-de-curitiba-vitima-de-islamofobia\/","title":{"rendered":"\u201cA gente tem medo de sair de casa\u201d, desabafa mu\u00e7ulmana de Curitiba v\u00edtima de islamofobia"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><em>O Sindypsi PR acompanhou coletiva de imprensa da Sociedade Beneficente Mu\u00e7ulmana do Paran\u00e1 em que duas mu\u00e7ulmanas curitibanas relataram uma s\u00e9rie de agress\u00f5es f\u00edsicas e verbais motivadas pela islamofobia. Casos recentes ser\u00e3o comunicados \u00e0 OAB-PR, \u00e0 Assembleia Legislativa do Paran\u00e1 e ao Conselho Estadual de Promo\u00e7\u00e3o \u00e0 Igualdade Racial<\/em><\/p>\n<figure id=\"attachment_4688\" aria-describedby=\"caption-attachment-4688\" style=\"width: 620px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-4688\" src=\"http:\/\/www.sindypsipr.com.br\/site\/..\/uploads\/2015\/11\/islamofobia.jpg\" alt=\"islamofobia\" width=\"620\" height=\"380\" srcset=\"http:\/\/www.sindypsipr.com.br\/site\/..\/uploads\/2015\/11\/islamofobia.jpg 692w, http:\/\/www.sindypsipr.com.br\/site\/..\/uploads\/2015\/11\/islamofobia-300x183.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 620px) 100vw, 620px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-4688\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Vinicius Torresan<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pedras, xingamentos, socos, cuspes e pux\u00f5es nos v\u00e9us s\u00e3o apenas algumas das agress\u00f5es relatadas por mu\u00e7ulmanas curitibanas. Andar pelas ruas, buscar os filhos na escola e trabalhar s\u00e3o atividades cotidianas cada vez mais \u00e1rduas para elas. Ap\u00f3s uma s\u00e9rie de agress\u00f5es sofrida pela comunidade na capital paranaense, a Sociedade Beneficente Mu\u00e7ulmana do Paran\u00e1 convocou uma coletiva de imprensa para esta segunda-feira (23) na Mesquita Imam Ali Ibn Abi T\u00e1lib, em Curitiba, com o objetivo de dar visibilidade \u00e0 viol\u00eancia que o grupo vem sofrendo. A equipe do <strong>Sindypsi PR<\/strong> compareceu \u00e0 coletiva e registrou o relato de Paula Zhara e Luciana Schmith Veloso sobre os ataques que, de acordo com elas, acontecem desde sempre, mas se tornam mais recorrentes quando o debate sobre o terrorismo e o Estado Isl\u00e2mico ganha visibilidade na m\u00eddia e na imprensa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No \u00faltimo dia 20, Luciana foi surpreendida por um homem que, ao passar por ela, voltou e arremessou uma pedra que a atingiu na perna. \u201cNa hora, a gente n\u00e3o pensa, fica nervosa. Sa\u00ed correndo e nem olhei direito pra ele\u201d, relatou Luciana, que ressaltou ter descren\u00e7a na efetividade de poss\u00edveis investiga\u00e7\u00f5es sobre esse crime. A viol\u00eancia f\u00edsica \u00e9 o \u00e1pice de uma s\u00e9rie de agress\u00f5es di\u00e1rias, de acordo com ela. \u201cFora os olhares, os pux\u00f5es de v\u00e9us e os ataques via internet que disseminam \u00f3dio e fazem v\u00e1rias associa\u00e7\u00f5es com o Isl\u00e3 que n\u00f3s sabemos que n\u00e3o \u00e9 verdade. \u00c9 muito triste\u201d, desabafou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Paula refor\u00e7ou que as agress\u00f5es s\u00e3o de longa data. \u201cDesde o dia 11 de setembro (dia do ataque \u00e0s torres g\u00eameas do World Trade Center, em Nova York), os ataques que n\u00f3s sofremos v\u00e3o se sucedendo\u201d. Os ataques f\u00edsicos contra ela coincidiram com momentos em que o terrorismo estava em alta na m\u00eddia: a \u00e9poca da morte de Osama Bin Laden e do atentado contra o jornal sat\u00edrico franc\u00eas Charlie Hebdo, por exemplo. A \u00faltima agress\u00e3o sofrida por Paula veio \u00e0 tona logo ap\u00f3s o ocorrido em Paris no \u00faltimo dia 13. Ela andava pela rua quando um usu\u00e1rio do transporte p\u00fablico gritou, de dentro do \u00f4nibus, palavras de baixo cal\u00e3o e cuspiu em seu hijab (v\u00e9u usado pelas mu\u00e7ulmanas).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cHoje em dia, no Brasil e em Curitiba, se voc\u00ea sofrer preconceito racial, voc\u00ea vai se pintar de branco para conseguir ser aceito? Eu vou ter que tirar o meu v\u00e9u para poder andar na rua? A m\u00eddia n\u00e3o pode mais coadunar com essa situa\u00e7\u00e3o. A gente n\u00e3o pode mais sair com os nossos filhos na rua por causa do medo de ser agredida. Meu filho de nove anos n\u00e3o tem ido \u00e0 escola porque ele est\u00e1 com medo. As pessoas falam que a m\u00e3e dele \u00e9 mulher-bomba\u201d, desabafa Paula com os olhos cheios de l\u00e1grima. \u201cN\u00f3s temos o direito \u00e0 nossa identidade, de demonstrar a nossa f\u00e9 e de nos vestir da maneira como achamos certo. N\u00e3o sei por que isso incomoda tanta gente\u201d, acrescentou Luciana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tanta viol\u00eancia e intoler\u00e2ncia que a comunidade mu\u00e7ulmana tem sofrido demonstram seus impactos na sa\u00fade mental das v\u00edtimas. Paula relata a dificuldade de superar as agress\u00f5es e a maneira como elas a afetam emocionalmente. \u201cEu sou ser humano. Todos esses epis\u00f3dios que aconteceram comigo est\u00e3o aqui, n\u00e3o descem, n\u00e3o d\u00e1 pra digerir isso\u201d, disse.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Resist\u00eancia \u00e0 islamofobia come\u00e7a a ganhar corpo em Curitiba<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para o porta-voz da Sociedade Beneficente Mu\u00e7ulmana do Paran\u00e1, Omar Nasser Filho, o sil\u00eancio sobre as agress\u00f5es precisa ser quebrado e a comunidade entrar\u00e1 em contato com a Comiss\u00e3o de Defesa dos Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil no Paran\u00e1 (OAB-PR), com a Comiss\u00e3o de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Paran\u00e1 (Alep) e o Conselho Estadual de Promo\u00e7\u00e3o da Igualdade Racial (Consepir). Omar ressalta que a mobiliza\u00e7\u00e3o do grupo n\u00e3o \u00e9 por vingan\u00e7a, e sim para que as pessoas pensem duas vezes antes de praticar a Islamofobia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Omar ressalta que as mulheres est\u00e3o mais suscet\u00edveis \u00e0s agress\u00f5es e ao \u00f3dio devido ao uso do v\u00e9u, o que facilita a identifica\u00e7\u00e3o delas como mu\u00e7ulmana. \u201cN\u00e3o bastassem todos tipos de viol\u00eancia que a mulher sofre em nossa sociedade, agora vivenciamos tamb\u00e9m a viol\u00eancia de car\u00e1ter religioso e \u00e9tnico\u201d, relatou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cInfelizmente, pessoas ignorantes, mal informadas e preconceituosas t\u00eam usado o notici\u00e1rio como instrumento para poder extravasar o seu \u00f3dio. O Brasil n\u00e3o \u00e9 um pa\u00eds do \u00f3dio, n\u00f3s reafirmamos a nossa cren\u00e7a nas institui\u00e7\u00f5es do Estado brasileiro, na legisla\u00e7\u00e3o brasileira, acreditamos no Estado de Direito e vamos usar daquilo que a lei nos oferece para n\u00e3o s\u00f3 penalizar aqueles que s\u00e3o os perpetradores desses atos, mas tamb\u00e9m para garantir a nossa seguran\u00e7a na condi\u00e7\u00e3o de cidad\u00e3os brasileiros\u201d, relata Omar.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Sindypsi PR acompanhou coletiva de imprensa da Sociedade Beneficente Mu\u00e7ulmana do Paran\u00e1 em que duas mu\u00e7ulmanas curitibanas relataram uma s\u00e9rie de agress\u00f5es f\u00edsicas e verbais motivadas pela islamofobia. 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