{"id":3965,"date":"2015-03-18T16:17:09","date_gmt":"2015-03-18T19:17:09","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sindypsipr.com.br\/site\/?p=3965"},"modified":"2015-03-18T16:24:15","modified_gmt":"2015-03-18T19:24:15","slug":"encontro-paranaense-diversifica-linguagem-para-debater-o-direito-a-comunicacao","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.sindypsipr.com.br\/site\/encontro-paranaense-diversifica-linguagem-para-debater-o-direito-a-comunicacao\/","title":{"rendered":"Encontro paranaense diversifica linguagem para debater o Direito \u00e0 Comunica\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Quem passou pela Pra\u00e7a Tirandentes, no centro de Curitiba, neste \u00faltimo s\u00e1bado (14) pode ter notado uma agita\u00e7\u00e3o fora do comum. Pessoas fantasiadas de clown carregavam cartazes com a pergunta \u201cQue TV voc\u00ea merece?\u201d e interagiam com quem estava de passagem na rua. Pela caixa de som, o grito das mulheres que comandavam os batuques soava claro: \u201cdemocratize, democratize j\u00e1. Democratize a comunica\u00e7\u00e3o!\u201d. Enquanto isso, um megafone circulava pela pra\u00e7a transmitindo a mensagem do \u201cCordel pela Regulamenta\u00e7\u00e3o da Comunica\u00e7\u00e3o\u201d (acesse aqui: <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=NWs1B8goHL8\">http:\/\/migre.me\/p25R9<\/a>).<\/p>\n<p>A interven\u00e7\u00e3o fez parte do Encontro Paranaense pelo Direito \u00e0 Comunica\u00e7\u00e3o (EPDC), que reuniu integrantes de movimentos sociais e sindicais, professores, estudantes de diferentes \u00e1reas e pessoas interessadas em discutir o cen\u00e1rio da comunica\u00e7\u00e3o no Brasil. Foram mais de 100 pessoas, de v\u00e1rios cantos do estado, que lotaram o audit\u00f3rio da Faculdade Uninter, mas que tamb\u00e9m ousaram ultrapassar as catracas e levar o debate para a rua por meio de outras linguagens.<\/p>\n<p>Organizado pela Frente Paranaense pelo Direito \u00e0 Comunica\u00e7\u00e3o e Liberdade de Express\u00e3o \u2013 Frentex-PR, entidade que comp\u00f5e o F\u00f3rum Nacional pela Democratiza\u00e7\u00e3o da Comunica\u00e7\u00e3o (FNDC), o EPDC acabou refletindo o resultado de um grande trabalho coletivo que come\u00e7ou no in\u00edcio de fevereiro. A preocupa\u00e7\u00e3o em promover o debate plural no encontro, de apenas um dia, levou a uma metodologia participativa e descentralizada.<\/p>\n<p><strong>Direito \u00e0 Comunica\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>As quest\u00f5es que envolvem a efetividade do Direito \u00e0 Comunica\u00e7\u00e3o foram apresentadas em um painel de debate que contou com a participa\u00e7\u00e3o de Bia Barbosa, integrante do Intervozes e da coordena\u00e7\u00e3o nacional do FNDC, Jo\u00e3o Paulo Mehl, integrante do Coletivo Soylocoporti e da Frentex-PR e Ayoub Hanna Ayoub, coordenador do colegiado do curso de Jornalismo da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e presidente do Sindicato dos Jornalistas do Norte do Paran\u00e1.<\/p>\n<p>Segundo Bia Barbosa, nossa legisla\u00e7\u00e3o est\u00e1 defasada do ponto de vista tecnol\u00f3gico, onde j\u00e1 trabalhamos em um cen\u00e1rio de converg\u00eancia de m\u00eddias sem mesmo ter garantido que princ\u00edpios constitucionais fossem cumpridos. \u201cSempre que se fala em um marco regulat\u00f3rio para o servi\u00e7o de radiodifus\u00e3o, imediatamente setores conservadores taxam a iniciativa como censura. Mas pa\u00edses como Fran\u00e7a, Inglaterra e Estados Unidos n\u00e3o s\u00e3o chamados de ditaduras por terem \u00f3rg\u00e3os que regulam os meios de comunica\u00e7\u00e3o\u201d. Bia lembra que nos Estados Unidos, por exemplo, a legisla\u00e7\u00e3o impede propriedade cruzada. \u201cDonos de jornais e revistas n\u00e3o podem ter canais de r\u00e1dio e televis\u00e3o\u201d, explica.<\/p>\n<p>Ayoub Hanna Ayoub destacou a import\u00e2ncia do papel de sindicatos, movimentos sociais, populares e tamb\u00e9m das universidades, em suas diversas \u00e1reas, na luta pela democratiza\u00e7\u00e3o dos meios de comunica\u00e7\u00e3o e disse das agress\u00f5es que diversos setores sociais sofrem cotidianamente pela programa\u00e7\u00e3o da grande m\u00eddia. \u201cEst\u00e1 na hora de ter uma lei Maria da Penha para nos proteger das agress\u00f5es dos grandes meios de comunica\u00e7\u00e3o, que diariamente ferem os direitos humanos e a pluralidade da informa\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p><strong>Luta no Paran\u00e1<\/strong><\/p>\n<p>O Paran\u00e1 tem um importante hist\u00f3rico na luta pela democratiza\u00e7\u00e3o da m\u00eddia. Este panorama foi apresentado por Jo\u00e3o Paulo Mehl, que fez uma retrospectiva da luta no estado, desde meados de 2006, quando diversos atores sociais come\u00e7aram a unir for\u00e7as para lutar por uma m\u00eddia democr\u00e1tica e contra a concentra\u00e7\u00e3o dos meios de comunica\u00e7\u00e3o que restringe a liberdade de express\u00e3o de diversos setores sociais.<\/p>\n<p>\u201cO movimento que criou a Frentex-PR, em 2011, tamb\u00e9m foi um dos respons\u00e1veis pela realiza\u00e7\u00e3o da Confer\u00eancia Nacional de Comunica\u00e7\u00e3o. Aqui no Estado, realizamos uma grande mobiliza\u00e7\u00e3o em diversas regi\u00f5es e conseguimos realizar uma das maiores confer\u00eancia estaduais\u201d. Jo\u00e3o Paulo diz ser importante esse resgate hist\u00f3rico para que todas as pessoas que chegam na discuss\u00e3o agora consigam acumular for\u00e7as e seguir na luta com ainda mais f\u00f4lego.<\/p>\n<p><strong>Diversidade na comunica\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Ornamentado com bandeiras de movimentos sociais, sindicatos, entidades e faixas de protestos pedindo mais pluralidade e representa\u00e7\u00e3o de diferentes grupos na m\u00eddia, o audit\u00f3rio do evento deu lugar \u00e0 diferentes formas de express\u00e3o. Al\u00e9m de uma interven\u00e7\u00e3o teatral no in\u00edcio da manh\u00e3, em que a diferen\u00e7a entre regula\u00e7\u00e3o e censura da m\u00eddia foi abordada, o microfone rodou tanto entre os mais experientes no assunto, quanto entre aqueles que estavam iniciando o debate.<\/p>\n<p>Para Hebe Gon\u00e7alves, participante do encontro e professora de jornalismo da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), o debate sobre o direito \u00e0 comunica\u00e7\u00e3o deve ser intensificado e ampliado para toda a sociedade. \u201cO direito \u00e0 comunica\u00e7\u00e3o \u00e9 o mesmo que o direito \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, \u00e0 sa\u00fade, ao bem-estar social. A comunica\u00e7\u00e3o \u00e9 um bem p\u00fablico e n\u00f3s tamb\u00e9m devemos reivindicar que esse direito de fato se efetive, se concretize\u201d, defende.<\/p>\n<p>A estudante de jornalismo Rafaela Cortes deu \u00eanfase \u00e0 import\u00e2ncia de diversificar as culturas presentes na m\u00eddia, ultrapassando, por exemplo, o sotaque padr\u00e3o do jornalismo. \u201cA democratiza\u00e7\u00e3o da m\u00eddia \u00e9 muito importante para a sobreviv\u00eancia da cultura popular, porque se voc\u00ea generalizar, fazer por exemplo um padr\u00e3o do jornalismo, a pessoa tem que falar com um sotaque, tem que agir de uma certa forma, isso \u00e9 excluir a voz de uma cultura, por que o curitibano n\u00e3o pode falar com o seu sotaque num programa jornal\u00edstico?\u201d, indaga.<\/p>\n<p>Wellington Lenon, do setor de Comunica\u00e7\u00e3o do MST no Paran\u00e1, participou do EPDC junto com outros militantes do movimento vindos do interior do Estado. O jovem refor\u00e7ou o apoio do movimento \u00e0 luta pela democratiza\u00e7\u00e3o da comunica\u00e7\u00e3o. \u201cNos seus 30 anos de hist\u00f3ria, o movimento sem terra passou e passa por uma criminaliza\u00e7\u00e3o muito forte da grande m\u00eddia. Por isso, estamos na luta para construir outros meios, outras formas de comunica\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m fortalecendo a forma\u00e7\u00e3o de nossa juventude, nas escolas, dentro do acampamento, para que todos entendam a import\u00e2ncia de democratizar a m\u00eddia\u201d.<\/p>\n<p><strong>Que TV voc\u00ea merece?<\/strong><\/p>\n<p>Com objetivo de discutir quest\u00f5es relativas \u00e0 necessidade de que o Brasil estabele\u00e7a um marco regulat\u00f3rio para a radiodifus\u00e3o, depois do painel da manh\u00e3, os participantes formaram grupos de debate em torno de cinco temas principais: audiovisual e a representa\u00e7\u00e3o das identidades regionais e locais; comunica\u00e7\u00e3o p\u00fablica no Paran\u00e1 e no Brasil; comunica\u00e7\u00e3o popular, comunit\u00e1ria e educomunica\u00e7\u00e3o; m\u00eddia e diretos humanos e Marco Civil da Internet e o futuro da internet no Brasil.<\/p>\n<p>Ana Paula Salamon, jornalista que integra a Frentex-PR em Curitiba, avalia que o evento representou uma retomada do movimento pela democratiza\u00e7\u00e3o da m\u00eddia no Paran\u00e1: \u201cFoi uma oportunidade para que diversos atores ligados \u00e0 essa bandeira, seja na universidade, na escola, no grupo de pesquisa, na entidade em que atua, no movimento em que milita, enxerguem a urg\u00eancia e as possibilidades de se articularem ente si para garantir a exist\u00eancia de outro sistema de comunica\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>As propostas levantadas por cada um dos grupos formar\u00e3o um documento final do encontro, que subsidiar\u00e1 a participa\u00e7\u00e3o de representantes do Paran\u00e1 no Encontro Nacional pelo Direito \u00e0 Comunica\u00e7\u00e3o, em abril, na cidade de Belo Horizonte.<\/p>\n<p>*Por Camilla Hoshino, Diangela Menegazzi e Ednubia Ghisi<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Fonte:\u00a0frentexpr.redelivre.org.br<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quem passou pela Pra\u00e7a Tirandentes, no centro de Curitiba, neste \u00faltimo s\u00e1bado (14) pode ter notado uma agita\u00e7\u00e3o fora do comum. 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