{"id":3914,"date":"2015-03-06T18:04:21","date_gmt":"2015-03-06T21:04:21","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sindypsipr.com.br\/site\/?p=3914"},"modified":"2015-03-06T18:06:36","modified_gmt":"2015-03-06T21:06:36","slug":"apoio-psicologico-como-importante-ferramenta-na-recuperacao-da-mulher-vitima-de-estupro","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.sindypsipr.com.br\/site\/apoio-psicologico-como-importante-ferramenta-na-recuperacao-da-mulher-vitima-de-estupro\/","title":{"rendered":"Apoio psicol\u00f3gico como importante ferramenta na recupera\u00e7\u00e3o da mulher v\u00edtima de estupro"},"content":{"rendered":"<p>Para este 8 de mar\u00e7o, o Sindypsi PR preparou uma entrevista com uma profissional que presta apoio a v\u00edtimas de estupro na capital paranaense. <!--more-->Estado \u00e9 o terceiro do Brasil em n\u00famero de estupros<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-3916\" src=\"http:\/\/www.sindypsipr.com.br\/site\/..\/uploads\/2015\/03\/Marcha-das-Vadias.jpg\" alt=\"Marcha das Vadias\" width=\"592\" height=\"408\" srcset=\"http:\/\/www.sindypsipr.com.br\/site\/..\/uploads\/2015\/03\/Marcha-das-Vadias.jpg 592w, http:\/\/www.sindypsipr.com.br\/site\/..\/uploads\/2015\/03\/Marcha-das-Vadias-300x206.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 592px) 100vw, 592px\" \/><\/p>\n<p>Neste dia 8 de mar\u00e7o, o Brasil tem poucos motivos pra comemorar quando se trata da seguran\u00e7a das mulheres. O 8\u00ba Anu\u00e1rio Brasileiro de Seguran\u00e7a aponta para um cen\u00e1rio alarmante: o pa\u00eds registrou 50.320 casos de estupro em 2013. Sabe-se, no entanto, que nem todas as v\u00edtimas t\u00eam apoio e coragem para denunciar, ou seja, o n\u00famero de incidentes \u00e9 superior ao que \u00e9 notificado. Em um pa\u00eds onde uma mulher sofre estupro a cada 10 minutos, o Dia Internacional de Luta das Mulheres deve servir de instrumento para dar visibilidade a essa triste realidade.<\/p>\n<p>Ainda de acordo com o 8\u00ba Anu\u00e1rio Brasileiro de Seguran\u00e7a, o Paran\u00e1 \u00e9 o terceiro estado em n\u00fameros absolutos de estupros, somando 3.523 casos. Ficamos atr\u00e1s apenas de S\u00e3o Paulo (12.057) e do Rio de Janeiro (5.613). Levando em conta os n\u00fameros registrados e os subnotificados, \u00e9 poss\u00edvel ter no\u00e7\u00e3o de quantas mulheres e fam\u00edlias s\u00e3o diretamente atingidas por esse crime. Nesse cen\u00e1rio, o trabalho das psic\u00f3logas e dos psic\u00f3logos representa uma importante ferramenta de enfrentamento \u00e0 viol\u00eancia sexual contra as mulheres.<\/p>\n<p><strong>Atendimento no Paran\u00e1<\/strong><\/p>\n<p>Em Curitiba, um dos servi\u00e7os dispon\u00edveis \u00e0s mulheres vitimadas por estupro \u00e9 oferecido pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico do Paran\u00e1 (MP-PR). O N\u00facleo de Atendimento \u00e0 V\u00edtima de Estupro (NAVES) d\u00e1 suporte psicol\u00f3gico a mulheres que, em momentos de sofrimento, tomam coragem e d\u00e3o continuidade \u00e0 a\u00e7\u00e3o penal contra o agressor. A psic\u00f3loga do NAVES, \u00c9rica Eiglmeier (CRP 08\/15479), explica que o apoio psicol\u00f3gico ameniza o desgaste emocional das v\u00edtimas durante o processo. \u201cEssa mulher vai ter que reconhecer o agressor, participar de audi\u00eancias, relatar o caso a ju\u00edzes, a delegados. A gente tenta aproveitar os depoimentos para que a mulher n\u00e3o precise se expor muito, mas nem sempre \u00e9 poss\u00edvel. Tudo isso provoca um desgaste ps\u00edquico muito grande\u201d, aponta.<\/p>\n<p>\u00c9rica relata que o estresse p\u00f3s-traum\u00e1tico a que s\u00e3o submetidas as mulheres v\u00edtimas de estupro afeta profundamente as situa\u00e7\u00f5es mais cotidianas: objetos e lugares as remetem ao cen\u00e1rio e ao momento do crime. \u201cElas revivem essa situa\u00e7\u00e3o de viol\u00eancias e isso limita a vida delas. N\u00f3s chegamos a atender v\u00edtimas que chegavam aqui e n\u00e3o conseguiam mais dirigir, acabavam se desfazendo do autom\u00f3vel. A fun\u00e7\u00e3o do NAVES \u00e9 justamente dar o apoio para que a v\u00edtima recupere a sua condi\u00e7\u00e3o de vida anterior \u00e0 viol\u00eancia\u201d, aponta.<\/p>\n<p><strong>Culpabiliza\u00e7\u00e3o da v\u00edtima<\/strong><\/p>\n<p>Faz parte da Cultura do Estupro culpabilizar a v\u00edtima pela viol\u00eancia sexual. N\u00e3o raro, veem-se coment\u00e1rios que imputam a responsabilidade do crime \u00e0 mulher violentada. Culpam a roupa curta, culpam o fato dela estar andando \u00e0 noite na rua, mas n\u00e3o o estuprador. \u00c9rica contesta esse senso com elementos da sua pr\u00f3pria experi\u00eancia enquanto psic\u00f3loga que atende as v\u00edtimas. \u201cA maioria das mulheres que n\u00f3s atendemos aqui foram estupradas no caminho de ida ou de volta do trabalho. N\u00f3s trabalhamos com a desmistifica\u00e7\u00e3o dessa culpabiliza\u00e7\u00e3o. Mostramos dados, mostramos que essas mulheres n\u00e3o est\u00e3o sozinhas enquanto v\u00edtimas\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Para \u00c9rica, o fato de homens e tamb\u00e9m mulheres culparem a v\u00edtima pelo crime faz parte de uma \u00fanica cultura, que \u00e9 muito marcada pela no\u00e7\u00e3o de \u201cmoral e bons costumes\u201d. \u201cEssa cultura acha que a mulher n\u00e3o pode ter direito ao lazer. E da\u00ed que ela estava cruzando a rua \u00e0s seis horas da manh\u00e3 porque saiu da balada? Ela est\u00e1 infringindo alguma lei?\u201d, questiona.<\/p>\n<p>A culpabiliza\u00e7\u00e3o da v\u00edtima acontece, muitas vezes, dentro de casa. Segundo \u00c9rica, a falta de apoio das pessoas pr\u00f3ximas \u00e0 v\u00edtima influencia diretamente no processo de den\u00fancia e de recupera\u00e7\u00e3o da mulher. \u201c Quem consegue denunciar \u00e9 quem tem apoio. \u00c9 muito claro pra mim que a mulher que tem uma fam\u00edlia que apoia consegue denunciar e seguir em frente. E o NAVES vem tamb\u00e9m para preencher a lacuna para aquelas que, de repente, n\u00e3o t\u00eam o apoio, para que se sintam encorajadas. Aqui, elas ter\u00e3o um apoio psicol\u00f3gico gratuito, sigiloso e ser\u00e3o atendidas somente por mulheres\u201d, explica.<\/p>\n<p><strong>A Psicologia e a luta contra a Cultura do Estupro<\/strong><\/p>\n<p>Para \u00c9rica, a fun\u00e7\u00e3o do apoio psicol\u00f3gico nessa situa\u00e7\u00e3o de fragilidade \u00e9 fazer com que a mulher recupere sua condi\u00e7\u00e3o de vida anterior ao estupro. \u201cA gente mostra para essas mulheres que elas n\u00e3o est\u00e3o sozinhas em termos de serem v\u00edtimas. Procuramos acolh\u00ea-las no sentido de mostrar que esse medo que elas desenvolvem n\u00e3o s\u00e3o absurdos. Mostramos que esse trauma realmente acontece. Por meio disso, elas v\u00e3o se sentindo mais humanas\u201d, aponta.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para este 8 de mar\u00e7o, o Sindypsi PR preparou uma entrevista com uma profissional que presta apoio a v\u00edtimas de estupro na capital paranaense.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":3917,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[32],"tags":[],"class_list":["post-3914","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-destaques"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.sindypsipr.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3914","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.sindypsipr.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.sindypsipr.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.sindypsipr.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.sindypsipr.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3914"}],"version-history":[{"count":3,"href":"http:\/\/www.sindypsipr.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3914\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3921,"href":"http:\/\/www.sindypsipr.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3914\/revisions\/3921"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.sindypsipr.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3917"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.sindypsipr.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3914"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.sindypsipr.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3914"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.sindypsipr.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3914"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}