{"id":3776,"date":"2015-01-29T15:10:28","date_gmt":"2015-01-29T18:10:28","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sindypsipr.com.br\/site\/?p=3776"},"modified":"2015-01-30T14:18:01","modified_gmt":"2015-01-30T17:18:01","slug":"transexualidade-o-que-a-psicologia-tem-a-dizer","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.sindypsipr.com.br\/site\/transexualidade-o-que-a-psicologia-tem-a-dizer\/","title":{"rendered":"Transexualidade: o que a Psicologia tem a dizer?"},"content":{"rendered":"<p>Em 29 de janeiro comemora-se o Dia da Visibilidade Trans.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-large wp-image-3777\" src=\"http:\/\/www.sindypsipr.com.br\/site\/..\/uploads\/2015\/01\/10947381_250227325177818_8318436274424045073_o-900x209.jpg\" alt=\"10947381_250227325177818_8318436274424045073_o\" width=\"620\" height=\"143\" srcset=\"http:\/\/www.sindypsipr.com.br\/site\/..\/uploads\/2015\/01\/10947381_250227325177818_8318436274424045073_o-900x209.jpg 900w, http:\/\/www.sindypsipr.com.br\/site\/..\/uploads\/2015\/01\/10947381_250227325177818_8318436274424045073_o-300x69.jpg 300w, http:\/\/www.sindypsipr.com.br\/site\/..\/uploads\/2015\/01\/10947381_250227325177818_8318436274424045073_o.jpg 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 620px) 100vw, 620px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Brasil lidera o ranking dos pa\u00edses que mais matam transexuais e travestis no mundo. De acordo com a ONG internacional Trangender Europe, o pa\u00eds registrou 486 mortes entre janeiro de 2008 e abril de 2013, n\u00famero quatro vezes maior que o detectado no M\u00e9xico, segundo pa\u00eds mais perigoso para essa popula\u00e7\u00e3o. Estes s\u00e3o os dados ditos \u201coficiais\u201d, j\u00e1 que muitos assassinatos n\u00e3o s\u00e3o registrados ou s\u00e3o contabilizados como mortes de homossexuais. Acontece que nem todo sofrimento de transexuais e travestis do Brasil \u00e9 quantific\u00e1vel. O fato de n\u00e3o se encaixarem na conven\u00e7\u00e3o social de que sexo e g\u00eanero s\u00e3o invariavelmente correspondentes interfere gravemente na sa\u00fade mental dessa popula\u00e7\u00e3o. O que a Psicologia tem a ver com esse debate?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A transexualidade ainda \u00e9 considerada um transtorno mental pela Classifica\u00e7\u00e3o Estat\u00edstica Internacional de Doen\u00e7as e Problemas Relacionados \u00e0 Sa\u00fade (CID-10, Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade, 1993). Entre os \u201cdist\u00farbios\u201d listados, est\u00e3o o \u201ctravestismo\u201d e o \u201ctransexualismo\u201d. O sufixo \u201cismo\u201d usado nos termos indica que a nomenclatura cient\u00edfica ainda considera essas condi\u00e7\u00f5es sexuais como desviantes. No entanto, assim como aconteceu com a homossexualidade, a transexualidade deveria ser retirada do CID-10 e passar a ser considerada apenas mais uma das m\u00faltiplas formas de viver a sexualidade humana. Essa conquista, no entanto, depende do engajamento de pessoas trans e de profissionais de diversas \u00e1reas, dentre eles os da Psicologia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As experi\u00eancias das pessoas trans e grande parte dos estudos sobre a tem\u00e1tica indicam que o alinhamento entre sexo, g\u00eanero e desejo n\u00e3o \u00e9 algo natural, e sim uma constru\u00e7\u00e3o social. Al\u00e9m disso, a defesa da exist\u00eancia de um binarismo de sexo e g\u00eanero (macho\/f\u00eamea, masculino\/feminino) tende a definir as variantes da sexualidade humana (transexualidade, travestilidade) como maneiras inadequadas de viver. Entendemos que ser considerado um(a) \u201cdoente mental\u201d por conta da sexualidade s\u00f3 traz sofrimento \u00e0 vida de travestis e transexuais. A patologiza\u00e7\u00e3o da transexualidade acentua estigmas e cria barreiras cru\u00e9is na luta dessa popula\u00e7\u00e3o pela inclus\u00e3o social.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 2008, as diretrizes nacionais para a realiza\u00e7\u00e3o do Processo Transexualizador foram regulamentadas pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade por meio da Portaria n\u00ba 457\/2008. A psicoterapia consta no procedimento do processo transexualizador como parte importante do acompanhamento do(a) usu\u00e1rio(a) na elabora\u00e7\u00e3o de sua condi\u00e7\u00e3o de sofrimento pessoal e social. Da mesma forma, a avalia\u00e7\u00e3o psicol\u00f3gica consta como um dos requisitos para que as pessoas transexuais possam retificar os dados nos documentos, modificando o nome de registro e adequando-o ao g\u00eanero com o qual se identifica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A atua\u00e7\u00e3o do psic\u00f3logo frente a esta popula\u00e7\u00e3o deve se pautar nos preceitos do C\u00f3digo de \u00c9tica Profissional. Segundo estes princ\u00edpios, devemos trabalhar pela defesa irrestrita dos direitos e da promo\u00e7\u00e3o de sa\u00fade destes indiv\u00edduos, assim como pautar uma abordagem profissional que defenda a dignidade das pessoas transexuais e que opere com vistas a eliminar as formas de discrimina\u00e7\u00e3o, opress\u00e3o e viol\u00eancia que estas pessoas enfrentam cotidianamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda que sejam v\u00e1rias as possibilidades de contribui\u00e7\u00e3o do psic\u00f3logo no atendimento a pessoas transexuais, uma atua\u00e7\u00e3o irrefletida, baseada em concep\u00e7\u00f5es patologizadoras, conservadoras e moralistas sobre as quest\u00f5es de g\u00eanero, pode transformar a interven\u00e7\u00e3o do psic\u00f3logo em mais um ve\u00edculo de sofrimento e opress\u00e3o. Sendo assim, a proximidade com os movimentos sociais, a reflex\u00e3o constante sobre a pr\u00e1tica, a troca de experi\u00eancias, a forma\u00e7\u00e3o e atualiza\u00e7\u00e3o permanentes s\u00e3o elementos importantes para a forma\u00e7\u00e3o de todos os profissionais que pretendem atuar junto \u00e0s pessoas trans.O Sindicato dos Psic\u00f3logos do Paran\u00e1 est\u00e1 atento a esta demanda do movimento social e tem fomentado espa\u00e7os de encontro, reflex\u00e3o e forma\u00e7\u00e3o para a categoria para a troca de experi\u00eancias e atualiza\u00e7\u00e3o acerca dos debates de g\u00eanero e sexualidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um deles \u00e9 o Janeiro Lil\u00e1s, uma iniciativa de movimentos sociais pelas pessoas trans para dar visibilidade a essa parcela da popula\u00e7\u00e3o. Durante o primeiro m\u00eas do ano, v\u00e1rias iniciativas de conscientiza\u00e7\u00e3o e troca de informa\u00e7\u00f5es s\u00e3o realizadas para fortalecer a por mais direitos \u00e0s pessoas trans. No Paran\u00e1, tem apoio de diversas entidades relacionadas, entre elas o Sindypsi-PR.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por entender a import\u00e2ncia de nossa categoria para esse debate, o Sindypsi-PR defende que a atua\u00e7\u00e3o da psic\u00f3loga e do psic\u00f3logo frente \u00e0 transexualidade n\u00e3o deve, em hip\u00f3tese alguma, se nortear por uma concep\u00e7\u00e3o patologizada dessa identidade de g\u00eanero. A assist\u00eancia psic\u00f3logica prestada a essa popula\u00e7\u00e3o pode e deve alavancar a qualidade de vida delas enquanto cidad\u00e3s e sujeitos de direitos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 29 de janeiro comemora-se o Dia da Visibilidade Trans. 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