{"id":2115,"date":"2013-11-07T16:37:26","date_gmt":"2013-11-07T19:37:26","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sindypsipr.com.br\/site\/?p=2115"},"modified":"2013-11-07T16:37:26","modified_gmt":"2013-11-07T19:37:26","slug":"os-psicologos-e-o-enfrentamento-a-violencia-contra-a-mulher","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.sindypsipr.com.br\/site\/os-psicologos-e-o-enfrentamento-a-violencia-contra-a-mulher\/","title":{"rendered":"Os psic\u00f3logos e o enfrentamento \u00e0 viol\u00eancia contra a mulher"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-2112\" alt=\"mulher\" src=\"http:\/\/www.sindypsipr.com.br\/site\/..\/uploads\/2013\/11\/mulher-300x193.jpg\" width=\"300\" height=\"193\" srcset=\"http:\/\/www.sindypsipr.com.br\/site\/..\/uploads\/2013\/11\/mulher-300x193.jpg 300w, http:\/\/www.sindypsipr.com.br\/site\/..\/uploads\/2013\/11\/mulher-140x90.jpg 140w, http:\/\/www.sindypsipr.com.br\/site\/..\/uploads\/2013\/11\/mulher.jpg 698w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>O <strong>Sindicato dos Psic\u00f3logos no Estado Paran\u00e1<\/strong> apresenta essa nota para expor seu posicionamento \u00e9tico e t\u00e9cnico com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s situa\u00e7\u00f5es de opress\u00e3o e viol\u00eancia contra as mulheres cis e trans*, especialmente com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 <strong>cultura do estupro<\/strong>.<\/p>\n<p>A ci\u00eancia psicol\u00f3gica de forma geral ecoa o projeto pol\u00edtico de nosso tempo: o da individualiza\u00e7\u00e3o, da culpabiliza\u00e7\u00e3o individual por fen\u00f4menos sociais nos sujeitos e da naturaliza\u00e7\u00e3o da opress\u00e3o. Neste sentido, quando tratamos de um segmento historicamente oprimido (como as mulheres ou as LGBTs) \u00e9 quase natural que o senso comum responsabilize justamente estes setores pelas viol\u00eancias \u00e0 que s\u00e3o subjugados. Compreendemos que a tarefa das psic\u00f3logas e psic\u00f3logos \u00e9 justamente reverter esta concep\u00e7\u00e3o. Um fazer t\u00e9cnico comprometido com a defesa intransigente dos segmentos oprimidos materializa a voca\u00e7\u00e3o da nossa categoria: o enfrentamento ao que produz a viol\u00eancia, o sofrimento, a anula\u00e7\u00e3o de direitos e a opress\u00e3o na perspectiva da emancipa\u00e7\u00e3o individual e coletiva destes sujeitos. Neste sentido, acreditamos que a culpabiliza\u00e7\u00e3o da mulher que sofre a viol\u00eancia machista &#8211; em qualquer circunst\u00e2ncia em que ela acontece &#8211; segue na contram\u00e3o do perspectiva emancipat\u00f3ria da Psicologia. Nos casos de viol\u00eancia contra a mulher, \u00e9 indispens\u00e1vel compreendermos que <strong>a culpa nunca \u00e9 da v\u00edtima<\/strong>. Em diversos casos de agress\u00f5es \u00e0s mulheres e mesmo em feminic\u00eddos, o senso comum geralmente \u00e9 apresentado em argumentos como \u201ca mulher provocou\u201d, \u201cmas se n\u00e3o estivesse b\u00eabada, nada teria acontecido\u201d, \u201cdepois que o homem foi provado, \u00e9 imposs\u00edvel segur\u00e1-lo\u201d, \u201cmas era apenas uma prostituta\u201d, \u201cela estava vestida de forma inapropriada e provocativa\u201d, \u201ctem mulher que gosta de apanhar\u201d, \u201cela quer s\u00f3 se aparecer\u201d apenas refor\u00e7am a l\u00f3gica da cultura do estupro, que reivindicamos combater. Posicionamentos deste teor devem ser rejeitados pelos profissionais psic\u00f3logos e psic\u00f3logas.<\/p>\n<p>O debate feminista &#8211; da luta contra a opress\u00e3o \u00e0s mulheres &#8211; nunca saiu de pauta porque a viol\u00eancia sist\u00eamica contra a mulher sempre se apresentou como uma realidade. Dados do Instituto Sangari (Mapa da Viol\u00eancia Contra a Mulher, 2011) apontam que o Paran\u00e1 \u00e9 o terceiro estado do Brasil com maior incid\u00eancia de casos de viol\u00eancia contra as mulheres. Piraquara, na regi\u00e3o metropolitana de Curitiba, ocupa o segundo lugar no ranking nacional entre os munic\u00edpios em que mais se matam mulheres. Outros munic\u00edpios tamb\u00e9m apresentam uma realidade alarmante, como Arauc\u00e1ria (22\u00ba lugar), Fazenda Rio Grande (32\u00ba lugar),Tel\u00eamaco Borba (39\u00ba) e Uni\u00e3o da Vit\u00f3ria (46\u00ba). O desafio est\u00e1 colocado e n\u00f3s, psic\u00f3logas e psic\u00f3logos n\u00e3o podemos nos abster de enfrentar as consequ\u00eancias da viol\u00eancia em nossos encaminhamentos profissionais.<\/p>\n<p>Acreditamos que o enfrentamento \u00e0 viol\u00eancia machista deve ser feito em todos os espa\u00e7os: n\u00e3o apenas nos coletivos sindicais e movimentos transfeministas, mas apropriado pela nossa categoria em suas pr\u00e1ticas profissionais cotidianas. Esta posi\u00e7\u00e3o deve ocupar nossos locais de trabalho, nossas posi\u00e7\u00f5es p\u00fablicas na m\u00eddia e nos espa\u00e7os de forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica. Deve ser protagonizado pelas mulheres mas nos orientar &#8211; \u00e0 todos e todas -, em todos os momentos e encaminhamentos t\u00e9cnicos que fazemos.<\/p>\n<p>A luta pelos direitos humanos se reatualiza \u00e0 cada vez que a viol\u00eancia \u00e9 silenciada ou justificada em explica\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas ou cient\u00edficas mirabolantes. Que n\u00e3o sejamos n\u00f3s, psic\u00f3logas e psic\u00f3logos, os agentes da naturaliza\u00e7\u00e3o desta opress\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Sindicato dos Psic\u00f3logos no Estado Paran\u00e1 apresenta essa nota para expor seu posicionamento \u00e9tico e t\u00e9cnico com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s situa\u00e7\u00f5es de opress\u00e3o e viol\u00eancia contra as mulheres cis e trans*, especialmente com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 cultura do estupro. 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