{"id":1185,"date":"2013-05-09T22:41:29","date_gmt":"2013-05-09T22:41:29","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sindypsipr.com.br\/site\/?p=1185"},"modified":"2013-05-10T14:32:57","modified_gmt":"2013-05-10T14:32:57","slug":"tratar-sim-oprimir-nao","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.sindypsipr.com.br\/site\/tratar-sim-oprimir-nao\/","title":{"rendered":"Tratar sim. Oprimir n\u00e3o."},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-1186\" title=\"images\" src=\"http:\/\/www.sindypsipr.com.br\/site\/..\/uploads\/2013\/05\/images.jpg\" alt=\"\" width=\"113\" height=\"64\" \/>O PDC 234\/11, nomeado pela m\u00eddia como \u201cprojeto da Cura Gay\u201d, tem propagado a ideia err\u00f4nea de que o homossexualidade \u00e9 uma patologia. No artigo a seguir o psic\u00f3logo Cesar Fernandes* comenta o projeto a partir de texto publicado recentemente no jornal Gazeta do Povo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Ao contr\u00e1rio do que apresentou a psic\u00f3loga Marisa Lobo no texto \u201cDireito de Mudar\u201d publicado pela Gazeta do Povo em 07\/05\/2013, o PDC 234\/11 &#8211; nomeado pela m\u00eddia como \u201cprojeto da Cura Gay\u201d &#8211;  n\u00e3o trata da liberdade pessoal e profissional do psic\u00f3logo nem do direito das pessoas em procurarem os servi\u00e7os psicol\u00f3gicos com sofrimento ps\u00edquico por serem gays. Fosse assim, n\u00e3o ser\u00edamos contr\u00e1rios ao PDC. O projeto prev\u00ea sustar o par\u00e1grafo do Artigo 3\u00ba e o Artigo 4\u00ba da Resolu\u00e7\u00e3o 1\/99 do Conselho Federal de Psicologia, que regula que \u201c Os psic\u00f3logos n\u00e3o colaborar\u00e3o com eventos e servi\u00e7os que proponham tratamento e cura das homossexualidades.\u201d e que \u201cOs psic\u00f3logos n\u00e3o se pronunciar\u00e3o, nem participar\u00e3o de pronunciamentos p\u00fablicos, nos meios de comunica\u00e7\u00e3o de massa, de modo a refor\u00e7ar os preconceitos sociais existentes em rela\u00e7\u00e3o aos homossexuais como portadores de qualquer desordem ps\u00edquica.\u201d. <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>O pr\u00f3prio C\u00f3digo de \u00c9tica profissional do psic\u00f3logo garante que ele deva acolher pessoas em sofrimento ps\u00edquico sem fazer distin\u00e7\u00e3o de classe, ra\u00e7a, g\u00eanero, orienta\u00e7\u00e3o sexual. O psic\u00f3logo deve compreender que a identidade de g\u00eanero e orienta\u00e7\u00e3o sexual s\u00e3o quest\u00f5es que constroem a pr\u00f3pria identidade do sujeito, devendo ser entendida como tal (e n\u00e3o como um desvio, uma disfun\u00e7\u00e3o). \u00c9 preciso reconhecer que n\u00e3o existe orienta\u00e7\u00e3o sexual \u201ccorreta\u201d, \u201ccerta\u201d, \u201cadequada\u201d, assim como n\u00e3o existe \u201ccor de pele\u201d correta ou \u201creligi\u00e3o\u201d adequada \u00e0 identidade dos sujeitos. Neste sentido, simplesmente propagandear uma poss\u00edvel terapia de \u201crevers\u00e3o\u201d de orienta\u00e7\u00e3o sexual legitima a concep\u00e7\u00e3o de que determinada orienta\u00e7\u00e3o sexual est\u00e1 \u2018errada\u2019, que pode e precisa ser mudada. Se esta \u00e9 uma vontade individual do sujeito que procura a psicoterapia em sofrimento, o psic\u00f3logo deve auxiliar a compreender como e porque \u00e9 alimentado este mal estar.<\/em><\/p>\n<p><em> <\/em><\/p>\n<p><em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A homossexualidade para o campo da Psicologia cient\u00edfica n\u00e3o \u00e9 considerada uma doen\u00e7a, o que n\u00e3o garante que ela n\u00e3o possa gerar sofrimento e angustia. Heterossexuais tamb\u00e9m se angustiam (e muito) por conta de quest\u00f5es vinculadas \u00e0 viv\u00eancia sexual. Tamb\u00e9m n\u00e3o quer dizer que a Igreja n\u00e3o possa ter suas pr\u00f3prias concep\u00e7\u00f5es sobre o tema. \u00c9 leg\u00edtimo que tenha, prezamos pela liberdade religiosa. No entanto o que a Resolu\u00e7\u00e3o 1\/99 do CFP busca garantir \u00e9 que o psic\u00f3logo n\u00e3o contribua &#8211; enquanto profissional &#8211; para a patologiza\u00e7\u00e3o de algo que n\u00e3o \u00e9 patol\u00f3gico, agindo de forma coerciva e opressora. Tamb\u00e9m orienta o psic\u00f3logo a n\u00e3o se manifestar publicamente de modo a refor\u00e7ar os preconceitos existentes em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s pessoas LGBT. \u00c9 um cuidado, n\u00e3o um \u201ccerceamento de direitos\u201d.<\/p>\n<p><\/em><\/p>\n<p><em> <\/em><\/p>\n<p><em> <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Se a inten\u00e7\u00e3o dos psic\u00f3logos que defendem o PDC 234\/11 n\u00e3o \u00e9 a promo\u00e7\u00e3o da intoler\u00e2ncia e a exclus\u00e3o atrav\u00e9s de sua pr\u00e1tica terap\u00eautica, pe\u00e7o que reflitam nos perigos que podem ser causados ao sustarem-se artigos aparentemente t\u00e3o \u00f3bvios da Resolu\u00e7\u00e3o 1\/99 CFP. Se psic\u00f3logos tiverem direito \u00e0 se posicionarem publicamente refor\u00e7ando preconceitos, isto pode engrossar um movimento muito reacion\u00e1rio contra os direitos humanos que hoje se alimenta de posicionamentos t\u00e9cnicos de profissionais para legitimar a viol\u00eancia. A Psicologia deve prestar-se \u00e0 liberdade e \u00e0 emancipa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o \u00e0 patologiza\u00e7\u00e3o e opress\u00e3o.<br \/>\n<\/em><br \/>\n*Cesar Fernandes \u00e9 psic\u00f3logo e constr\u00f3i o GT de Quest\u00f5es LGBT do Sindicato dos Psic\u00f3logos do Paran\u00e1<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O PDC 234\/11, nomeado pela m\u00eddia como \u201cprojeto da Cura Gay\u201d, tem propagado a ideia err\u00f4nea de que o homossexualidade \u00e9 uma patologia. No artigo a seguir o psic\u00f3logo Cesar Fernandes* comenta o projeto a partir de texto publicado recentemente no jornal Gazeta do Povo. 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